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Sesab notifica este ano 601 casos de Aids na Bahia

Em todos os 130 postos de saúde em Salvador, a distribuição de camisinha é gratuita.

Em todos os 130 postos de saúde da Prefeitura de Salvador, a distribuição de camisinhas é gratuita, assim como os exames que podem detectar ou não a presença do vírus transmissor da Aids. Contudo, a constatação das autoridades de Vigilância Epidemiológica, é que apesar de todas as campanhas, a adesão da população ainda é baixa e, por conta disso, o número de pessoas infectadas vem aumentando. Hoje é o Dia Mundial de Combate à AIDS, instituído há 17 anos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Somente este ano, de janeiro a setembro, a Secretaria Estadual da Saúde (Sesab) notificou 601 novos casos em adultos e outros casos em crianças. Salvador lidera o ranking no estado, com 294. Já a infecção pelo vírus do HIV foi detectada e, 1.207 adultos e 11 crianças no mesmo período. A diferença de dados se dá porque na Aids o vírus já se manifestou e se transformou na doença. E nas detecções do HIV, ele ainda está no período de incubação, antes de aparecerem os sintomas.

Esses números preocupam os especialistas, que acreditam que houve um relaxamento por parte da população, principalmente os mais jovens, que mesmo tendo à disposição toda uma estrutura de prevenção, com distribuição gratuita de preservativos e medicamentos, têm procurado pouco os postos de atendimento. “Por isso a nossa ênfase têm sido com as campanhas de fortalecimento da prevenção dos riscos e de como evitá-los”, explicou a coordenadora da Divisão de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) da Secretaria Municipal da Saúde, Helena Lima.

Segundo Helena Lima, todos os 130 postos de saúde em Salvador fazem a distribuição de camisinhas e o município realiza gratuitamente os testes de detecção do vírus HIV, transmissor da AIDS, assim como realiza o tratamento da doença em três unidades especializadas, localizadas nos bairros de Itapagipe, Nazaré e na Liberdade. Nesses locais, além da distribuição gratuita dos medicamentos, são feitos acompanhamentos periódicos dos pacientes por médicos, farmacêuticos, odontólogos, psicólogos, enfermeiros e  assistentes sociais

Dia Mundial

A coordenadora do Centro de Referência e Diagnóstico de DST/AIDS da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), Miralba Freire, explicou que o governo federal deverá lançar um novo programa de prevenção da doença. “Nosso objetivo é antecipar a infecção, uma vez que atualmente se faz o tratamento emergencial, que é o uso do medicamento no período de  até 72 horas após a exposição”, disse.

Miralba explicou ainda que existe uma grande preocupação com a não-adesão das pessoas às práticas preventivas, ou, em muitos casos, a interrupção do tratamento. “O foco maior tem sido os jovens, que não viveram as primeiras experiências da descoberta da AIDS, quando ainda não havia um tratamento e muitos viveram experiências traumáticas. Hoje, sabendo que existe tratamento, muitos relaxam na prevenção”, disse.

No último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, referente a 2016, a Bahia aparece com 604 casos de AIDS identificados, sendo o estado com maior número de casos confirmados no Nordeste e o sexto no Brasil. De 2003 até junho de 2016, período em que o Ministério da Saúde sistematizou as estatísticas anuais, foram registrados na Bahia 5.433 casos.

Entre 2003 até junho do ano passado, o estado com maior número de notificações foi São Paulo, com 53.130 casos, seguido de Rio Grande do Sul (13.855 casos), Paraná (10.054), Rio de Janeiro (8.340) e Minas Gerais (7.003). Em todo o Brasil foram registrados 136.945 casos no período, dos quais 12.682 somente no ano passado.

Do início da epidemia de AIDS (1980) até dezembro de 2015, foram identificados 303.353 óbitos cuja causa básica foi a AIDS, dos quais 44 mil no ano passado,  sendo a maioria das morte4s ocorrida na Região Sudeste (60,3%), seguida das regiões Sul (17,5%), Nordeste (12,6%), Centro-Oeste (5,1%) e Norte (4,4%). No ano passado,  segundo o Ministério da Saúde, o Brasil 830.000 pessoas vivendo com o vírus do HIV, dos quais 48 mil foram de novos casos detectados naquele ano.

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