Delegação de residentes e internos do HGRS levou estudos sobre o SUS e casos de alta complexidade ao Rio de Janeiro

O Serviço de Neurocirurgia do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) marcou presença no XXXVI Congresso Brasileiro de Neurocirurgia (CBN26), realizado entre 11 e 15 de agosto no Rio de Janeiro, com a apresentação de 14 pesquisas científicas. Elaborados por residentes e internos da unidade baiana, os trabalhos abordaram temas de impacto para a saúde pública nacional e o manejo de patologias neurocirúrgicas complexas.
A participação expressiva da equipe do HGRS no evento consolida a diretriz de integrar a assistência médica do Sistema Único de Saúde (SUS) à investigação científica rigorosa. Sob a coordenação do chefe do serviço, Leonardo Avellar, os projetos apresentados no Rio de Janeiro variaram de mapeamentos epidemiológicos sobre procedimentos cirúrgicos no Brasil a investigações clínicas sobre tumores cerebrais e complicações neurocirúrgicas raras.
Destaques da produção científica do HGRS
Entre os 14 estudos levados ao evento pelo grupo de pesquisadores do hospital baiano, destacam-se:
- Tratamento do Hematoma Subdural Crônico no Brasil: Estudo epidemiológico e estatístico de escala nacional que analisou registros de mais de 54 mil procedimentos cirúrgicos, mapeando disparidades regionais de acesso e atendimento na rede pública de saúde;
- Terapias Alvo em Gliomas Difusos: Revisão sistemática sobre a eficácia clínica e o perfil de segurança dos medicamentos inibidores de IDH mutante em oncologia neurocirúrgica;
- Relatos de Casos Clínicos Raros: Descrição de quadros atípicos atendidos na rotina do HGRS, incluindo a recorrência de hematoma subdural em lactente após procedimento de neuroendoscopia e o diagnóstico de meningocele intrassacral oculta em paciente adulta.
Ciência e formação acadêmica no SUS
A presença da residência médica do Hospital Roberto Santos em fóruns nacionais reflete a consolidação de uma cultura de pesquisa voltada para a solução de problemas clínicos cotidianos do hospital público.
De acordo com o neurocirurgião e chefe da residência do HGRS, Leonardo Avellar, formar profissionais com perfil investigativo é de extrema importância. Ele enfatizou ainda que a tarefa não envolve apenas “ensinar a técnica cirúrgia”, mas também garantir que o profissional possa “transformar a rotina de um hospital”.
“Formar neurocirurgião não é apenas ensinar técnica cirúrgica. É formar alguém capaz de transformar a rotina de um hospital público em pergunta científica. Catorze trabalhos não nascem de um mês de esforço, nascem de uma cultura de pesquisa que a residência do Roberto Santos vem construindo há anos. Levar isso para o Rio, para o maior congresso do país, é mostrar que ciência de ponta também se faz dentro do SUS, na Bahia”, declarou o médico.
Para a residente Taiane Araújo, uma das autoras dos estudos levados ao CBN26, o aprendizado prático e científico vivenciado em Salvador prepara os profissionais em pé de igualdade com os grandes centros de referência de todo o Brasil. “Estar no CBN26 apresentando um trabalho ao lado de colegas de todo o Brasil é perceber que a formação que recebemos aqui não deixa nada a dever. A rotina do Roberto Santos é intensa, mas ela também ensina a olhar cada caso raro, cada complicação, como uma pergunta que vale a pena investigar até o fim”, completou a médica.
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