Furacão Dorian obriga um milhão de pessoas a deixarem suas casas nos EUA

Classificação é a segunda mais intensa. Centro Nacional de Furacões informou que fenômeno pode atingir o sudeste da Flórida e causar uma tempestade extremamente perigosa.

Furacão Dorian sacode as árvores de Freeport, nas Bahamas, na noite de domingo. Sudeste dos EUA se prepara para chegada da tempestade. RAMON ESPINOSA (AP)

Dorian se transformou em um furacão de categoria 4 no Atlântico, em sua rota para o sudeste da Flórida, que atingirá na semana que vem como uma tempestade “extremamente perigosa”, informou ontem o Centro Nacional de Furacões. Dorian se aproxima do continente com ventos máximos sustentados de 185km/h e se intensificará ainda mais antes de tocar terra no sul do estado – na altura do condado de Palm Beach, onde o presidente Donald Trump tem sua residência de verão – entre segunda e terça-feira.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, pediu que os residentes se preparem para um “evento de vários dias”. Ele expandiu o estado de emergência a todos os condados da Flórida, não só os da costa como havia anunciado inicialmente. “Isto é um evento muito sério. Urgimos que todos os moradores da Flórida tenham comida, remédios e água suficientes para sete dias. Pode ser um evento de vários dias que atingirá lentamente todo o estado.”

Ele pediu aos residentes que obedeçam as ordens de evacuação, mas também apontou que as autoridades serão cautelosas em emitir tais ordens porque a tempestade é instável. “Às vezes, se você desaloja muito cedo, pode acabar desalojando o lugar para onde a tempestade irá se mudar”, comentou.

Isso ocorreu há dois anos com o furacão Irma, que atingiu o Sul da Flórida com categoria 4, quando uma mudança de rota de último momento forçou os desalojados a voltarem a se deslocar.

Já na noite de quinta-feira a loja de materiais de construção Home Depot já estava ficando sem tábuas de madeira, que são utilizadas pelos moradores para vedar as janelas. “As pessoas já têm experiência, são da Flórida. Não se arriscam”, disse um funcionário.

Os condados puseram à disposição centros de distribuição de sacos de areia, para colocar nas portas nas zonas inundáveis, e longas filas já eram registradas para a compra de provisões nos supermercados.

Em Miami, as estantes de água e de comida enlatada nos supermercados começam a se esvaziar. “Nunca se sabe”, comentou Magdalena Gómez, de 57 anos. “Eles (as autoridades) te estressam e depois pode ser que não aconteça nada, mas sou muito obediente. Se me dizem que compre água, eu vou e compro tudo”, afirma.

VIAGEM DeSantis também pediu ao presidente Trump que declare “desastre” na Flórida antes da chegada de Dorian para habilitar mais recursos. Trump cancelou uma viagem prevista para a Polônia e tuitou que “será um furacão muito grande, talvez um dos maiores!”.

O condado de Palm Beach declarou emergência local e suas autoridades disseram que anunciarão a abertura de abrigos e eventuais ordens de desalojo à medida que a tempestade se aproxime. Os condados vizinhos também ativaram seus procedimentos de emergência. A Guarda Nacional da Flórida mobilizou 2 mil soldados e disse que outros 2mil estarão a postos hoje. 

O Centro Nacional de Furacões emitiu aviso de furacão para as ilhas das Bahamas, onde chegará hoje.

A categoria 5 implica que o ciclone segue a pelo menos 252 quilômetros por hora. É o máximo da escala de Saffir-Simpson, que classifica esses fenômenos atmosféricos de acordo com a velocidade de seus ventos. O furacão açoita as ilhas Grande Bahama e Ábaco, no noroeste do arquipélago. A área não é um dos maiores focos do turismo, uma das principais atividades econômicas do arquipélago. Muitos dos hotéis já estavam fechados para a entressafra. Vários aeroportos da região deixaram de operar.

O primeiro-ministro das Bahamas, Hubert Minnis, disse no sábado que cerca de 73.000 moradores e 21.000 casas poderiam ser afetados. “Quero que vocês se lembrem: as casas, as estruturas podem ser substituídas. As vidas, não”, alertou Minnis em coletiva de imprensa. As autoridades temiam que alguns moradores não ouvissem suas instruções e decidissem enfrentar o furacão trancados em casa.

Assolado com frequência por furacões, o arquipélago das Bahamas tem requisitos de construção que forçam as casas a se dotarem de estruturas metálicas para proteger os telhados contra as tempestades da categoria 4, de acordo com a Associated Press. Os regulamentos geralmente são cumpridos nas casas cujos proprietários podem pagar, mas os riscos são muito maiores nas populações mais pobres, que normalmente habitam casas de madeira em áreas mais baixas.

A velocidade dos ventos, que atingiram 290 quilômetros por hora, situa o Dorian no quarto lugar dos ventos mais fortes do Atlântico desde que começaram a ser registrados sistematicamente em 1950.

O furacão está avançando em baixa velocidade e não deve ultrapassar as Bahamas antes desta segunda-feira à tarde. A previsão é que esteja na costa leste da Flórida e na Geórgia nas terça e quarta-feira, movendo-se lentamente para o norte até alcançar na quinta ou sexta-feira as Carolinas. “Ainda não estamos livres de problemas”, disse o governador da Flórida, Ron DeSantis, que observou que alguns modelos de previsão colocam Dorian mais perto das costas do Estado. “Temos que estar preparados e permanecer vigilantes”, disse. No Condado de Palm Beach, as autoridades ordenaram o esvaziamento de trailers, casas precárias e áreas de altitude especialmente baixa.

Flórida, Carolina do Sul e Carolina do Norte, além de 12 condados da Geórgia, declararam estado de emergência, mobilizando recursos estatais para se prepararem para combater os efeitos de Dorian. “Além da Flórida, também é muito provável que a Carolina do Sul, Carolina do Norte, Geórgia e Alabama sofram impacto [muito] maior do que o previsto. Parece um dos maiores furacões da história. E já está na categoria 5. Cuidado, e que Deus abençoe a todos!”, tuitou o presidente Donald Trump.

Fonte: El Pais