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Dívidas fazem com que 69% dos inadimplentes tenham crises de ansiedade

Quando alguém adquire uma dívida e não consegue pagá-la, não é apenas sua vida financeira que sai prejudicada. A saúde do corpo e da mente também fica comprometida, potencializando uma série de problemas que se acumulam e afetam todos os aspec tos da vida de uma pessoa. Um levantamento nacional realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revela que o número de consumidores inadimplentes que passaram a se sentir mais ansiosos após contraírem a dívida cresceu nove pontos percentuais em relação ao ano passado, passando de 60% para 69% e assumiu a liderança no ranking de sentimentos que a má situação financeira mais desperta.

A pesquisa ainda foi além e explorou os demais sentimentos decorrentes de problemas como este. Na sequência da ansiedade, ficou a insegurança (65%), estresse (64%, alta de 6 pontos percentuais em relação a 2016), angústia (61%), desânimo (58%), sentimento de culpa (57%) e baixa autoestima (56%). A pesquisa ainda revela que mais da metade dos inadimplentes (51%) sente-se envergonhada perante a família e amigos por se encontrarem nessa situação.

O educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, orienta que o consumidor com dívidas em atraso deve tirar o foco da dívida em si e se concentrar no atingimento das metas traçadas para vencer o desafio de sair da inadimplência. “A postura emocional do devedor revela muito sobre como ele vai lidar com a reorganização das finanças. Quem se desespera no momento de dificuldade, multiplica os seus problemas. Um consumidor desorientado, ansioso e sem motivação dificilmente vai ter energia para traçar uma saída. Os primeiros passos nessas horas são manter a calma, buscar racionalidade e contar com a compreensão da família. Ou até mesmo recorrer a um profissional especializado”, diz.

A pesquisa ainda constata que em muitos casos a inadimplência, por alterar negativamente o estado emocional dos consumidores, atinge até mesmo a vida profissional e social das pessoas. Um quarto dos entrevistados consultados (25%) admite que ficou mais desatento e menos produtivo no ambiente de trabalho após a situação de inadimplência, percentual que cresceu 9 pontos percentuais em relação a 2016.

Outro dado nesse sentido é que 21% não conseguem controlar a paciência e acabam se irritando com facilidade ao lidarem com colegas no serviço.

A psicóloga Brenda Rocco informa que problemas emocionais são comuns nestes casos.

“Independente dos motivos que levam à desorganização financeira, é comum que problemas dessa ordem gerem distúrbios emocionais, impactando as relações familiares, sociais e profissionais”, porém, “procurar a ajuda profissional é importante, principalmente nos casos em que a pessoa está sob esse quadro com sintomas recorrentes há mais de 6 meses”, recomenda.

Ao se encontrar no vermelho, uma das primeiras coisas a fazer, segundo especialistas, é esquecer o cartão de crédito. Caso, ainda com dívidas, a pessoa insista em gastar, a situação dela poderá piorar. Isso também é algo comprovado pelo levantamento realizado, pois sete em cada dez (76%) inadimplentes pesquisados disseram ter deixado de fazer compras parceladas nos cheques, cartões e carnês.

Além disso, 74% também fizeram cortes ou algum tipo de ajuste no orçamento, enquanto 47% até mesmo deixaram de comprar itens de primeira necessidade para si ou para a família.

Requer esforço

“Não se sai da inadimplência sem esforço. É importante que o consumidor faça um detalhamento minucioso de todos os seus gastos e priorize o pagamento das contas e compras de primeira necessidade, visando uma sobra no orçamento, que será utilizada justamente para negociar e quitar a dívida em atraso”, orienta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

 

 

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