Valor da cesta básica em Salvador aumenta 3,08% no semestre

Preço do feijão cresceu 9,59% em junho, seguido pelo açúcar com 8,12%

O valor da cesta básica em Salvador teve um aumento de 3,08% nos últimos seis meses. Em junho deste ano, apesar do crescimento de 0,19% nos preços em relação ao mês de maio, a cesta básica da capital baiana foi a 5ª mais barata entre as 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Com a elevação no custo da cesta básica para R$ 199,01, o trabalhador que ganha um salário mínimo de R$ 465 comprometeu 46,52% da sua renda líquida mensal em junho. Para um família de quatro pessoas, duas crianças e dois adultos, o valor desembolsado em junho para comprar os alimentos da cesta básica foi de R$ 597,03.

De acordo com os cálculos do Dieese e com base na cesta básica mais cara entre as 17 capitais pesquisadas para suprir as necessidades básicas desta família seria necessário um salário de R$ 2.045, 06, um valor quatro vezes maior que o atual.

Preços

Dos 12 produtos da cesta básica, seis ficaram mais caros para os consumidores da capital baiana. O feijão foi o grande vilão do mês, com uma alta de de 9,59% no mês, seguido pelo açúcar (8,12%), o leite (5,21%), a banana (4,05%), o óleo de soja (2,82%) e o café (0,75%).

As fortes chuvas no mês de maio podem ter contribuído para a segunda alta consecutiva do feijão, uma vez que o período de colheita na primeira safra se concentrou nas regiões Sul e Sudeste. Assim como o açúcar que teve aumento de 39,65% no mercado internacional.

Um dos fatores é a redução de 45% na área plantada de cana-de-açúcar na Índia, ocasionada por fortes chuvas e também pelo aumento da área plantada de oleaginosas e grãos naquele país.

O banana teve uma alta menor no mês de junho, mas mesmo assim o Estado ainda chega a perder cerca de 300 toneladas da fruta in natura o que pressiona o aumento nos preços.

O preço do óleo de soja em Salvador também aumentou ao contrário da maioria das outras capitaias que registraram queda no preço do produto. A redução do preço da matéria-prima no mercado internacional, principalmente a partir do final de 2008, provocada pela crise econômica mundial com forte redução do crédito no comércio internacional, foi a causa principal do barateamento do óleo nesses locais.

O preço médio do café teve um aumento de 0,75% no mês. Produto de grande comercialização internacional também foi afetado pela crise de crédito, especialmente dos países exportadores.

O preço médio do café subiu 0,75% em junho. O café, produto de grande comercialização internacional, também está sendo afetado pela crise de crédito, especialmente dos países importadores. 

O tomate apresentou queda de preço (-3,76%) em junho, mas na capital baiana foi observado um aumento de 9,40% nos últimos 12 meses. No corrente ano, as condições climáticas têm sido melhores do que em 2008, favorecendo a produção de hortaliças em geral, inclusive o tomate.

O preço da manteiga também caiu 3,39% em junho. O preço da farinha de mandioca também ficou 1,82% mais barato este mês. Os preços da raiz de mandioca estão em baixa, por conta do avanço da colheita e da menor demanda por derivados.

Em junho, o preço da carne bovina caiu 1,58% na capital baiana. A queda do preço médio internacional da carne bovina, combinada com a redução das exportações, tem pressionado os preços internos para baixo.

A carne está em período de entressafra mas, como a exportação está sendo afetada pela crise internacional, ocorreu esta redução de preços. O preço médio do pão registrou queda de 0,99% em junho. O preço do arroz caiu 0,56% no último mês.

Variações nas capitais

Em junho, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica registrou aumentos moderados em 12 das 17 capitais pesquisadas. Os aumentos superiores a 1% ocorreram em Aracaju (4,47%), Fortaleza (1,80%), Florianópolis (1,53%) e Curitiba (1,04%).

Em cinco capitais houve reduções, também modestas, sendo que, em Brasília, a queda foi de -2,28%, em João Pessoa foi de -0,90%, em Recife -0,45%, no Rio de Janeiro -0,37%, e em Natal -0,12%.

Tanto no primeiro semestre, quanto nos últimos 12 meses, o custo da cesta básica barateou em 13 capitais. No semestre, as maiores quedas foram apuradas em Florianópolis (-9,02%), Aracaju (-8,76%) e Brasília (-8,41%). Os aumentos foram observados em Recife (3,99%), Salvador (3,08%), Goiânia (1,62%) e Belém (1,28%).

Nos últimos 12 meses, as maiores reduções foram anotadas em Florianópolis (-8,69%), Aracaju (-8,03), Belo Horizonte (-7,56%) e São Paulo (-6,99%). Os aumentos foram registrados em Salvador (7,27%), Vitória (3,10%) e Goiânia (0,51%).

EDUARDO 'SNIPER' ROBSON