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Mais de 20 países querem integrar os Brics, mas aprovação ainda é dúvida, dizem especialistas

Os interesses das novas nações fazerem parte do bloco vai desde uma alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, até em se livrar de sansões que impactam a economia

Especialistas consultados pela CNN diz que o Brics está em constante evolução e as atenções estão voltadas ao bloco 04/09/2017 REUTERS/Wu Hong/Pool

Nações com influência com os países dos Brics estão solicitando a entrada no bloco. Cerca de 20 economias próximas à Rússia, China, Índia, Brasil e África do Sul esperam a aprovação para fazer parte do grupo de emergentes.

Porém, ainda há um caminho para a aprovação. Após a formalização do pedido de adesão, um dos membros do bloco tem que convidar o país interessado a fazer parte, e os outros devem aprovar essa entrada.

Só após essa decisão é que acontece a introdução de um novo membro no tratado.

Um dos pedidos mais recebentes de países que se aplicaram é Bangladesh — por influência da Índia.

Egito, Etiópia e países do norte da África, como Marrocos, utilizam da ligação com a Rússia para pleitear um lugar. Estas nações participam diretamente da economia internacional russa.

Além destes, Belarus e Cazaquistão também fizeram a solicitação.

Próximo da China, países do sudeste asiático estão na fila. Tailândia e Vietnã fizeram pedidos diretos para ingressar ao bloco.

Outros países ligados a uma ideologia antiamericana e críticos a uma ordem internacional mundial, como Cuba, Argentina, Honduras, Venezuela, Irã, também estão nesta lista.

Argélia também é um país que busca essa aproximação para adentrar aos Brics.

Arábia Saudita está mais perto de entrar pela aproximação do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), o braço financeiro do bloco.

Países ligados aos Emirados Árabes Unidos, como a Palestina, Nigéria, Quati e Barém já manifestaram interesse, porém ainda não formalizaram pedido de adesão.

O professor de economia e relações internacionais Ibmec-SP, Alexandre Pires, explica que os Brics, o NDB e todos esses fóruns são tratados estabelecidos entre os quatro primeiro países (Brasil, China, Rússia e a Índia).

África do Sul entrou no bloco posteriormente.

Pires diz que esse interesse dos países em ingressar aos Brics é por conta do “dinheiro barato” sendo ofertados com condições muito menos severas do que as impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

Por outro lado, são países que estão sob embago ou alguma sanção, ou seja, estão afastados do mundo ocidental e buscam um respiro se associando ao bloco.

“Em tese, são países que não estão mais participando da comunidade internacional.”

Porém, há países que estão tentando se aproveitar oportunidade de mercado mesmo não tendo nenhuma sanção.

Cenário internacional

Allan Gallo, professor de Economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica (CMLE), aponta que a Cúpula dos Brics se converte em uma arena de intrigas, com mais de 20 países ansiosos por integrar esse bloco econômico em plena ascensão.

A ênfase recai na decifração dos motivos subjacentes a esses pleitos e nas ramificações para a ordem econômica e política global.

De acordo com Gallo, o Brasil, tradicionalmente avesso a alianças políticas que possam trazer algum entrave geopolítico, enfrenta um dilema.

A nação, que abriga interesses econômicos em seu papel protagonista no grupo, deve balançar suas âncoras diplomáticas com uma pressão crescente para apoiar a entrada de novos membros, que poderá ser chamado de Brics+.Allan Gallo

O professor destaca ainda o papel da Rússia nesse cenário. Ao instrumentalizar o grupo, ele diz que o país pode trazer à tona uma estratégia ardilosa, usando os Brics como palco para seu renascimento geopolítico e superação das sanções impostas pelo ocidente em virtude da invasão da Ucrânia.

“Ao sinalizar que pode empregar os laços do bloco para validar suas agendas, a Rússia incita questões sobre até que ponto o grupo será usado como um peão no xadrez internacional.”

Na contramão, a colaboração entre a Rússia e a China, dois pilares do bloco, aparenta estar com as relações abaladas. Enquanto ambos trabalham juntos para enfraquecer o domínio do dólar e desafiar o Ocidente, interesses nacionais divergentes frequentemente dão origem a tensões nos bastidores.

“Essa dinâmica suscita a pergunta de até que ponto essa colaboração é uma aliança verdadeira ou uma conveniência oportunista”, opina Gallo.

Futuro do bloco

O professor do Ibmec fala que os Brics evoluíram desde sua criação. Era um bloco que buscava construir uma ordem multipolar, tentava aumentar o poder de barganha de Brasil, China, Rússia e Índia, para um bloco de um caráter de política internacional, buscando romper as estruturas básicas que organizam o sistema internacional.

“Isso significa romper com instituições de Bretton Woods, que é Fundo Monetário Internacional, o Grupo do Banco Mundial, além do dólar como padrão de pagamento do mundo.”

Na visão de Pires, se esse bloco evoluir para estruturas alternativas das finanças internacionais, ele fará pressão passa concorrer com a estrutura do FMI, do Banco Mundial e com sistemas de pagamento Swift.

Ou seja, o bloco pode conseguir lançar um desafio, uma concorrência estrutural diante a que foi montada em Bretton Woods depois da 2ª Guerra Mundial.

“Mas, se olharmos os tamanhos das economias, fora a economia chinesa, os outros países do bloco estão patinando. A Índia está vendo um crescimento numa escala maior recentemente, mas é ainda é pobre e vai demorar para ter um impasse econômico grande no mundo. São grandes centros de consumo, mas não são grandes economias no ponto de vista de moeda internacional, com exceção da China”.

Enquanto o bloco entra em um cenário novo, a tendência é enfrentar novas encruzilhadas.

Gallo pondera que a escolha de admitir novos membros não será trivial, exigindo um intricado equilíbrio entre a expansão do poder e da influência e a preservação da identidade coletiva.

“O globo observa, consciente de que essas decisões moldarão as teias complexas das relações internacionais nos próximos anos. Os Brics se metamorfoseiam em uma trilha de incertezas, uma arena onde escolhas sutis podem desencadear impactos duradouros”, conclui o especialista.

Fonte: CNN Brasil

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