Lula diz não se preocupar com Moro em 2022: “Ele que precisa ficar preocupado”

Ex-presidente disse que Bolsonaro venceu eleição em momento de “anomalia na política”; também minimizou as restrições aos direitos humanos em Cuba.

Lula durante evento com apoiadores na Espanha.

De passagem pela Europa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que não se preocupa com a pré-candidatura do ex-juiz Sergio Moro (Podemos) ao Planalto: “ele que precisa ficar preocupado“.

“Sem a proteção da toga de juiz e sem a proteção do Código Penal, será candidato como eu, como cidadão comum. E, nesse caso, é muito mais fácil [vencer Moro]”, disse.

Vindo de Berlim, Bruxelas e Paris, Lula passou por Madri, onde concedeu uma entrevista ao jornal espanhol El País. Apesar do clima de campanha e da declarada vontade de voltar a governar, Lula ainda não confirmou a sua candidatura para as eleições presidenciais de Segundo ele, isso “não depende de uma vontade pessoal“.

“Não posso voltar para fracassar. Tenho que voltar para fazer o Brasil recuperar o seu prestígio internacional, e que o povo possa comer 3 vezes ao dia.”

O ex-presidente brasileiro foi capa do jornal espanhol neste domingo (21.nov.2021):

Segundo o petista, a sua motivação para concorrer ao Planalto vem da situação em que o país se encontra hoje: desemprego, inflação e volta da fome. “O Brasil está quebrado“, falou.

Para Lula, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) venceu a eleição em um momento de “anomalia na política mundial“, com a chegada de Donald Trump aos Estados Unidos e o crescimento do partido de extrema-direita Vox, na Espanha.

“Aconteceu no mundo todo. A mentira prevalece sobre a verdade“, afirmou. “Bolsonaro é mentiroso, não entende a economia, não entende os problemas sociais.”

Para a recuperação do país no pós-pandemia, o petista disse que, se necessário, o Estado “tem que colocar o dinheiro para que a economia cresça“. Ele citou o fundo de € 760 bilhões liberado pela UE (União Europeia) e o pacote social de US$ 1,75 trilhão do presidente norte-americano, Joe Biden.

CUBA
O petista também minimizou as restrições aos direitos humanos em Cuba. O país proibiu manifestações políticas na semana passada. Eis a íntegra da resposta de Lula ao El País:

“Essas coisas não acontecem só em Cuba, mas no mundo inteiro. A polícia bate em muita gente, é violenta. É engraçado porque a gente reclama de uma decisão que evitou os protestos em Cuba, mas não reclama que os cubanos estavam preparados para dar a vacina e não tinham seringas, e os americanos não permitiam a entrada de seringas. Eu acho que as pessoas têm o direito de protestar, da mesma forma que no Brasil. Mas precisamos parar de condenar Cuba e condenar um pouco mais o bloqueio dos Estados Unidos.”

“Quem decide a liberdade de Cuba se não o povo cubano? O problema da democracia em Cuba não será resolvido instigando os opositores a criar problemas para o Governo. Será conquistada quando o bloqueio acabar.”

Programa Estado Solidário