Inteligência artificial será usada para mapear risco de câncer de pulmão

Acordo de cooperação firmado entre hospital particular e empresa de tecnologia fará análises em exames de rotinas de pacientes locais por dois anos para detectar nódulos com chances de malignidade.

Pela primeira vez no Brasil, um software de inteligência artificial será capaz de mapear nódulos pulmonares em exames de rotina e revelar aos médicos quais pacientes têm maior risco de desenvolver câncer de pulmão, um dos tipos de tumor mais letais.
Anunciado na semana passada, o projeto é uma parceria entre o Hospital Sírio-Libanês e a Siemens Healthineers. As duas instituições firmaram um acordo de cooperação de dois anos que prevê uma varredura em laudos de tomografias do tórax de pacientes do hospital com o objetivo de identificar nódulos achados incidentalmente.
“Imagine uma situação em que o paciente faz um exame de rotina ou vai a um pronto-socorro por uma tosse, buscando outra doença, e é descoberto naquele exame um nódulo no pulmão. Pode acontecer que, depois de resolvido o problema que o levou ao hospital, ele não faça o acompanhamento desse nódulo e ele evolua para um câncer. É isso que queremos evitar”, explica Armando Lopes, diretor da Siemens Healthineers no Brasil.
Mas como nem todos os nódulos evoluem para lesões malignas, o software está sendo “treinado” para identificar somente aqueles casos com maior risco, em um processo chamado de machine learning (aprendizado de máquina). “Nessa parceria, estamos definindo critérios para ensinar o software a apontar somente os nódulos com maior chance de malignidade”, explica Cesar Nomura, um dos diretores da área de Medicina Diagnóstica do Sírio-Libanês.
O especialista diz que, para que a máquina identifique só os casos suspeitos, ela vai avaliar tanto informações do nódulo, como o tamanho e suas características, quanto dados do paciente, como histórico de tabagismo ou de câncer na família. Com base na identificação dos casos suspeitos, a equipe vai receber constantemente avisos do software, indicando a necessidade de seguimento dos pacientes, que, por sua vez, serão informados por e-mail ou telefone caso não estejam fazendo o acompanhamento.
Inicialmente, o sistema vai avaliar cerca de 4 mil tomografias de tórax por mês, mas, futuramente, a mesma tecnologia deverá ser usada para identificar outras doenças, como problemas cardíacos ou tumores de próstata, segundo Nomura.
 
Uso ampliado
O Sírio-Libanês é o terceiro hospital no mundo a utilizar o software, batizado de Proactive Follow-up. Somente dois hospitais americanos já testaram o programa.
A ideia, diz a Siemens Healthineers, é de que a experiência traga benefícios para a saúde pública ao criar estatísticas sobre quais tipos de nódulos têm maior risco de ser malignos.
“O câncer de pulmão é um dos que mais mata e uma das razões para isso é o fato de ele ser assintomático, geralmente detectado em estágios avançados. Ao antecipar o diagnóstico, poderíamos salvar vidas e economizar em tratamentos”, explica Robson Miguel gerente da divisão de soluções digitais da empresa. Finalizada a etapa de “treinamento” da máquina, os exames começarão a ser analisados, o que deve ocorrer em até três meses.
 
Alterações genéticas
A inteligência artificial também começou a ser usada de maneira inédita em outro serviço de saúde brasileiro. Nesta terça-feira, 8, o Grupo Fleury passou a ser a primeira instituição da América Latina a oferecer um exame diagnóstico cujo laudo é emitido com o auxílio da computação cognitiva.
Batizado de Oncofoco, o teste, desenvolvido em parceria com a IBM, mapeia alterações genéticas nos tumores de pacientes que não responderam ao tratamento padrão. “A partir do mapeamento dessas alterações genéticas, o software busca todos os estudos existentes no mundo e indica, no laudo, qual tratamento tem evidências de maior eficácia. É um exemplo de medicina personalizada”, explica Edgar Rizzatti, diretor médico, técnico e de processos do Fleury.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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