Com aumento de pressão militar, Ucrânia aceita negociar com Rússia

Encontro está para acontecer em Belarus. Termos das negociações ainda são desconhecidos

Foto: Reprodução, redes sociais/@ZelenskyyUa

Para interromper a guerra iniciada pela Rússia, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, aceitou negociar um acordo com os russos. Na prática, ele pode estar assinando sua rendição após um aumento da pressão militar de Vladimir Putin neste domingo (27).

Forças russas entraram na segunda maior cidade da Ucrânia, Kharkiv, e iniciaram uma batalha nas suas ruas após uma noite de intensos combates. Em Kiev, a pressão continua com bombardeios, mas não há sinais de uma ofensiva total contra o centro da capital.

A movimentação veio logo após o Ocidente ter elevado o grau de punição a Moscou, ao anunciar o início da desconexão de alguns bancos russos do sistema internacional de transferências financeiras.

O Kremlin, neste domingo (27), que uma delegação havia sido enviada para Gomel, cidade na Belarus a 40 km da fronteira ucraniana. “Estaremos prontos para começar negociações”, disse o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov.

Inicialmente, o governo de Zelenski rejeitou a iniciativa, presumivelmente porque o que Moscou quer é uma rendição. Em um pronunciamento, o presidente disse que seria possível conversar na Belarus se os russos não tivessem usado a ditadura aliada como uma das bases para seu ataque justamente contra Kiev, a menos de 200 km da fronteira sul belarussa.

Ainda na manhã de domingo, contudo, a Presidência ucraniana disse que aceita ir a Gomel, demonstrando uma mudança de tom do líder. O ucraniano teve um sábado de sucesso midiático no Ocidente, deixando seu passado de comediante e político inábil no poder para trás ao fazer discursos desafiadores em Kiev.

Peskov não elaborou acerca do que a delegação vai exigir. Quando falou sobre o assunto, na sexta (25), havia citado que a ideia era negociar “a neutralidade da Ucrânia”. Este é o ponto principal das demandas feitas ao Ocidente por seu chefe, enquanto juntava quase 200 mil soldados em torno do vizinho: evitar que Kiev adira à Otan (aliança militar ocidental) e, por tabela, à União Europeia.