CAMPANHA COMBATE AO MOSQUITO EDES AEGYPTI

UFC: Brasileiro foi professor de matemática aos 15 anos e se inspira em Naruto para encorajar nerds

Caio Borralho faz sua segunda luta no UFC e é o co-main event do card deste sábado

Caio Borralho enfrentará armênio em sua segunda luta no UFC — Foto: Chris Unger/Zuffa LLC

Caio Borralho, de 29 anos, entra no octógono neste sábado para ser o co-main event do UFC em Las Vegas na luta contra o armênio Armen Petrosyan no peso-médio. O brasileiro, que tem 11 vitórias e apenas uma derrota em seu cartel, estudou tudo o que podia do adversário. E, segundo ele próprio diz, tem facilidade em resolver problemas.

Isso porque Borralho aos 15 anos já ensinava os outros a resolverem problemas de Química e Matemática.

“Eu tenho esse histórico de ter iniciado faculdade de química industrial, fui professor de Química no ensino médio, de Matemática. Dei bastante aula de matemática desde os meus 15 anos. Só larguei mesmo porque eu amo lutar“, disse o brasileiro, em entrevista à ESPN.

“Meu avô era professor de matemática, dava aula particular, tinha a lousa na casa dele e tinha umas 7,8 pessoas pra ver a aula dele. Eu sempre estudei bastante e aí ele teve um compromisso e teve que sair correndo. Ele me perguntou: ‘Caio, você sabe de tal assunto? Consegue dar aula disso?’. Eu disse que sim, aí eu dei essa aula, a galera gostou, depois comecei a dar aula partiuclar pra vizinhos. Depois quando comecei a dar aula de química eu dava aula pra minha turma que ficava de recuperação, ajudava a galera a passar de ano“, completou o maranhense.

Caio Borralho largou a carreira acadêmica e faculdade de Químia Industrial no 7º semestre, em 2014, para perseguir o sonho de lutar. Ele praticava judô desde a infância e havia feito combates amadores na época em que resolveu largar tudo e vir para São Paulo.

Longe da família, o brasileiro teve que lutar contra a solidão e consequentemente depressão pela distância e dúvidas com relação à nova carreira.

Passei por cima de muita coisa, de estar sozinho numa cidade como São Paulo. No começo sempre tem aquele lance da dúvida. É uma mistura de tudo, saudade de casa, da família. Sempre tive família muito próxima, não ter eles perto foi bem difícil. E toda essa dúvida de na hora que estava começando a ir, rompi ligamento, tive que ficar 6 meses parado, isso mexeu bastante com minha cabeça. Eu consegui superar isso aí, sempre tive dúvidas, momento mais down, mas nunca deixei de acreditar”.

Já como lutador de MMA, Borralho montou seu próprio time e juntou o MMA com outra paixão sua: o mundo nerd. “Eu gosto de ter essa cara de nerd, inclusive minha equie se chama ‘Fighting Nerds’. É uma forma de encorajar, às vezes o nerd é deixado de lado. Imagina essa galera vendo o nerd saindo na porrada e vencendo. Se pudesse lutar de óculos eu lutaria”.

“Nosso jargão é ‘It’s bullying payback time’, é hora de contra-atacar o bullying. Imagina um cara que fez bullying a vida toda e olha no UFC um nerd quebrando todo mundo, ele vai começar a respeitar mais os nerds. É uma forma de encorajar, contra-atacar o bullying. A gente joga xadrez, gosta de filme da Marvel, de anime, é uma equipe cheia de nerd que vai dar muito orgulho para os nerds. Eu me considero um nerd da luta”.

E em qual personagem do mundo geek este nerd se inspira? “Personagem que mais me inspiro é o Naruto. Ele era um moleque deixado de lado, tinha o sonho de ser o rei do povoado dele, aconteceram muitas coisas com ele e ele nunca deixou esse discurso de lado. Isso é uma mensagem muito forte. Hoje mais velho eu consigo entender a mensagem dele. Sempre falei ‘vou chegar no UFC, vou ser campeão do mundo’.