Preço do cacau podem disparar devido aumento da demanda

(Bloomberg) – O consumo crescente provavelmente levará o mercado global de cacau a uma escassez na próxima temporada, segundo a Olam International, a terceira maior processadora do mundo.

A demanda está aumentando e alguns países produtores, incluindo a Indonésia, têm dificuldades para ampliar a produção, disse Gerry Manley, responsável pelo cacau na empresa com sede em Cingapura, em entrevista, na Conferência Mundial do Cacau, em Berlim. O mercado estaria perto do equilíbrio na temporada que termina em setembro.

Os contratos futuros de cacau despencaram nos últimos dois anos, quando a maior produtora da Costa do Marfim registrou safra recorde e a oferta global superou o consumo. Os preços mais baixos estimularam a demanda, sendo que o processamento subiu mais de 5 por cento na última temporada e possivelmente crescerá até 4 por cento em 2017-2018, disse Manley.

“O mais provável é que seja um ano de déficit a esta altura devido ao consumo”, disse. “É preciso que a oferta venha ao mercado e definitivamente há uma ou duas áreas com dificuldades.”

Os futuros tiveram uma recuperação de mais de 30 por cento neste ano após atingirem o menor patamar em vários anos, de 1.322 libras (US$ 1.847) por tonelada em janeiro. Os preços estão agora em um nível mais gerenciável para a maioria dos participantes do mercado, disse Manley.

“Acho que se pode ver que abaixo de 1.850 libras o cacau se torna difícil para muitos países produtores, para muitos agricultores”, disse. “O positivo dos preços baixos é que estimulam o consumo, e estimulam muito fortemente.”
É forte a demanda para manteiga de cacau, que é usada para fazer chocolate, mas também para outros produtos, como licores e cacau em pó, segundo a Olam, que estima que a tendência se manterá nos próximos meses.
“Acreditamos que o consumo ainda está forte e vemos o consumo ocorrer em outras áreas do negócio, não apenas com o chocolate”, disse Manley. “O consumo está mudando para os lácteos, para os sorvetes, para os produtos de panificação.”

A Costa do Marfim produzirá cerca de 2 milhões de toneladas de cacau nesta temporada, pouco menos que os 2,1 milhões de toneladas de um ano antes, prevê a Olam. A vizinha Gana, a segunda maior produtora, colherá cerca de 800.000 toneladas e é improvável que a produção aumente na próxima temporada.
“Os problemas lá provavelmente têm mais a ver com o manejo de fertilizantes e pesticidas do que com a safra em si e é por isso que não estamos vendo Gana crescer tanto assim”, disse Manley. “Nós também não projetamos um grande aumento da produção no ano que vem.”