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O cacau muito além do chocolate

Quando você lê ou ouve falar sobre cacau, provavelmente, a primeira associação que sua mente faz é com o chocolate. Nada mais natural, uma vez que a fruta é a principal matéria-prima para a fabricação deste que é um dos doces mais consumidos no mundo.

O chocolate que, aliás, tem sido apontado ao longo dos últimos anos por uma série de pesquisas como um alimento benéfico para o organismo, inclusive para o coração. O que nem todo mundo sabe, entretanto, é que boa parte dessas vantagens vem justamente da presença do cacau em sua composição. Ou seja, os méritos recebidos são provenientes na verdade do cacau.

O que o cacau tem de bom?
O cacau contém uma variedade de compostos naturais benéficos à saúde, a exemplo das fibras, vitaminas do complexo B e C e minerais, como ferro e magnésio. Também é rico em flavonoides, um tipo de antioxidante que ajuda a reduzir a inflamação e proteger as células do corpo contra os danos causados por radicais livres. Esses compostos têm sido associados à diminuição do surgimento de doenças cardíacas, incluindo doenças coronárias e o acidente vascular cerebral (AVC).

A importância dos flavonoides
Os flavonoides (compostos bioativos do grupo dos polifenóis encontrados em diversas frutas e vegetais) atuam em prol a saúde cardiovascular em diversos aspectos, todos interligados e igualmente importantes:

1. Redução da pressão arterial
Estudos indicam que esses compostos ajudam a reduzir a pressão arterial. Os flavonoides presentes no cacau promovem a dilatação dos vasos sanguíneos e assim melhoram a função endotelial (isto é, quando as células endoteliais, aquelas que revestem o interior dos vasos, funcionam de maneira eficaz e saudável), o que leva a uma pressão mais baixa.

O endotélio é uma camada crucial para a saúde vascular, desempenhando várias funções importantes, como a regulação do fluxo de sangue e da coagulação, a manutenção da permeabilidade vascular e a produção de substâncias químicas que afetam a dilatação e a contração das artérias.

2. Melhora da função vascular
A ingestão de cacau assim também é associada a uma melhor função vascular. Os flavonoides aumentam a produção de óxido nítrico, substância que contribui para o relaxamento das paredes dos vasos e do fluxo de sangue.

3. Aumento do colesterol bom
O cacau pode aumentar os níveis de lipoproteína de alta densidade (HDL), conhecida popularmente como “colesterol bom”. O HDL é o responsável pela remoção do excesso de “colesterol ruim” (LDL ou lipoproteína de baixa densidade) dos tecidos e artérias – ele leva a substância de volta ao fígado para que depois seja eliminada, impedindo assim seu acúmulo. Em outras palavras, o HDL auxilia a limpar o excedente de gordura dos vasos sanguíneos.

Níveis de altos de LDL elevam as chances de a gordura acumulada ficar depositada nas paredes internas das artérias (arteriosclerose), o que, gradualmente, forma uma placa de gordura que chamamos de ateroma. Esses ateromas obstruem os vasos dificultando ou bloqueando a passagem do sangue. Com o tempo, isso pode resultar na doença arterial coronária, em um infarto ou AVC.

4. Diminuição da formação de coágulos
Com a melhora do fluxo de sangue, os flavonoides podem ser vistos como aliados contra a formação de coágulos sanguíneos e o desenvolvimento de tromboses. Quando consumido sem exageros e da maneira correta, o cacau ainda atua na prevenção do envelhecimento precoce e da anemia, além da melhora do humor e bem-estar (estudos apontam aumento na produção de serotonina) e a regulação da flora intestinal.

Atenção ao que você come
Se você é um amante de chocolate, a recomendação é que esteja atento ao produto escolhido. Isso porque a forma de fabricação dos chocolates pode tornar o doce benéfico ou prejudicial à saúde do coração (nesses casos, especialmente se consumido em excesso).

O cacau tem naturalmente um gosto forte e amargo. Para agradar o paladar dos consumidores, são acrescentados leite, açúcar e aromatizantes, como a baunilha, na intenção de padronizar o sabor e melhorar a textura.

No entanto, para isso ele é processado, podendo passar por várias etapas. E quanto mais o cacau é processado (através da fermentação, alcalinização, torrefação, etc), mais flavonoides são perdidos. Ou seja: nem todo chocolate é rico em flavonoides e reúne os benefícios acima apontados.

Acerte na escolha
De modo geral, os principais ingredientes do chocolate são o cacau, manteiga do cacau (fonte de gordura), açúcar (ou similar, como os adoçantes) e o leite (leite em pó ou condensado). Porém, o que precisamos considerar na hora da escolha é a quantidade de cacau presente na fórmula.

Para aproveitar o que a fruta oferece de melhor, é recomendável dar preferência ao chocolate amargo com alto teor de cacau (ao menos 60% em sua composição – quanto mais escuro o chocolate, melhor!) e evitar o chocolate branco, que não contém cacau entre seus ingredientes (ele é produzido apenas com a manteiga do cacau, leite, açúcar e aromatizantes).

E sem esquecer que o chocolate não é a única forma de utilização do cacau. Ele pode ser consumido em pó, sucos, geleias, sorvetes, bolos, cookies, vitaminas e até acompanhando outras frutas. No Pará, por exemplo, o doce de cibirra é considerado uma iguaria deliciosa (a cibirra é a parte do cacau onde as sementes ficam presas). Portanto, opções não faltam. É ficar atento e ler o rótulo dos produtos industrializados, evitar a adição de açúcar e usar a criatividade para incluir a fruta nos preparos do dia a dia.

Fonte: Instituto de longevidade 

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