Motociclistas são os que mais morrem no trânsito do Brasil

Em 2021, quase 2 mil pessoas se envolveram em incidentes sob duas rodas. Apesar dos índices terem se reduzido durante os últimos anos, educação no trânsito precisa ser ainda mais estimulada

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Por Lily Menezes

Mais acessíveis e práticas para se locomover pela cidade, as motocicletas conquistaram de vez a preferência dos condutores em Salvador: os emplacamentos desse tipo de veículo aumentaram 7% no último ano, e a frota atualmente está em 155.932 motos, de acordo com dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Infelizmente, a imprudência e a má conduta no trânsito seguem preocupando os órgãos de segurança viária. No ano passado, 1.942 motociclistas se envolveram em acidentes nas ruas da capital baiana, segundo a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador). De janeiro até agora, já foram 133 incidentes envolvendo motos, vinte a menos do que os sinistros com carros em 2022. No momento, as motocicletas são a segunda categoria de veículo que mais registrou ocorrências.

Cinco anos atrás, em 2017, 3.796 motociclistas se acidentaram nas ruas da cidade. Embora a Transalvador considere a redução significativa para o período, o número de vítimas fatais continua assustando. Em 2021, um levantamento da pasta mostrou que uma pessoa morreu em acidentes de moto por semana. Foram 36 vidas perdidas nessa fatalidade. Neste ano, a estatística continua triste: das pessoas que morreram em acidentes de trânsito, 60% delas conduziam motos. Para reforçara importância de uma conduta mais responsável no trânsito, aTransalvador lançou nesta quarta-feira (11) mais uma campanha para sensibilizar os mototaxistas durante o Maio Amarelo, mês dedicado à propagação da segurança viária e a prevenção de acidentes.

A ação teve a parceria da Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária. Durante todo o ano, os alertas das consequências da imprudência já estão presentes pelas principais avenidas de Salvador, como a Mário Leal Ferreira (Bonocô), onde a Transalvador colocou mega cartazes com estatísticas de acidentes e óbitos envolvendo motos. O superintendente de trânsito Marcus Passos elenca o excesso de velocidade como o principal fator que provoca tantos acidentes, principalmente em tempos onde o trabalho por aplicativo aumentou e os prestadores de serviço vivem na pressa para cumprir metas, consequentemente assumindo um comportamento de risco, desrespeitando o sinal vermelho e mudando de faixa sem aviso, dentre outros atos de desatenção. Com a ação, ele espera que os condutores possam refletir sobre como estão dirigindo. “Queremos expandir a mensagem de conscientização para que possamos sensibilizar, principalmente, os motociclistas, e, dessa forma, preservarmos vidas no trânsito”, pontuou.

Riscos

Para especialistas em traumatologia, o motociclista é de longe a pessoa mais frágil em meio ao trânsito. Com a potência cada vez maior dos motores desses veículos, ele fica vulnerável e acaba se machucando mais, até mesmo com uma colisão do seu próprio corpo de forma indireta. Os lançamentos que acontecem após uma batida com outro tipo de veículo (um caminhão ou um ônibus, por exemplo) fazem com que o motociclista acabe ‘virando um para-choque’. Sem o uso correto do capacete, projetado especialmente para evitar lesões fatais na cabeça, a exposição do condutor fica ainda maior.

“Entre as vítimas, hoje a maior preocupação com a mortalidade e as internações no Brasil, são os motociclistas. Os motociclistas, desde 2015, são os que mais morrem no trânsito brasileiro, e os que mais são internados”, alertou o diretor científico da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) Flavio Adura, que elencou os jovens como o perfil mais envolvido nesses sinistros, e com consequências desastrosas como membros dilacerados. “Cerca de metade de todas as mortes causadas no trânsito são os chamados vulneráveis, os mais frágeis, que são justamente os ciclistas, os pedestres e os motociclistas”.

Deste modo, além da educação individual do condutor para observar sinalizações e dar seta quando for trocar de faixa, é preciso avançar nas políticas de trânsito para todos os atores envolvidos, a fim de proporcionar um ambiente mais seguro. “As medidas de prevenção a serem colocadas em prática devem ser específicas para cada uma dessas vítimas”, disse o especialista da Abramet.

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