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Khabib Nurmagomedov enfrenta mais do mesmo no UFC 242

Dustin Poirier é competente no que se propõe, mas o russo já superou rivais com o mesmo estilo.

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Desde que estreou no UFC, em 2012, Khabib Nurmagomedov mostrou impressionantes qualidades e deixou no ar a sensação de que o título peso leve, ou ao menos uma disputa pelo cinturão, era questão de tempo. O corpo do russo foi o maior adversário, por causa do volume de lesões, mas ele se tornou campeão, como previsto por muitos, e até já defendeu a coroa. E agora?

E agora que Nurmagomedov vai enfrentar Dustin Poirier, em defesa do cinturão peso leve do Ultimate, neste sábado, no UFC 242. O norte-americano, que é campeão interino, seja lá qual é o valor disso hoje em dia, merece esse combate. Uma pena que seja mais do mesmo. O russo já derrotou adversários mais qualificados nas áreas em que o rival pode levar perigo, por isso não é o confronto que mais me empolga.

Poirier é competente no que se propõe, é um lutador ofensivo, até imprudente em muitos momentos, mas fica a pergunta para qualquer um que vá enfrentar o campeão: vai defender quedas? Não é possível ter muita certeza, porque o norte-americano enfrentou poucas situações como essa. A maioria dos adversários dele foram lutadores que preferem o duelo em pé, justamente o forte do campeão interino.

Não é coincidência, Nurmagomedov também se acostumou a enfrentar rivais que têm como carro-chefe o boxe, o muay thai, o kickboxing, porque essa é a característica atual da divisão dos leves do UFC. Não é culpa dele, é verdade, mas deixou de ser novidade ver o russo levantar adversários e arremessá-los no chão. É lógico que não se limita a isso, A excelência em judô e sambo o permite ter um arsenal de quedas elogiável. Também é bonito ver a dominância do campeão uma vez que o oponente prega as costas no solo ou tenta se apoiar na grade para levantar, esforço que costuma ser em vão. 

Poirier é um legítimo faixa preta de jiu-jitsu, mas Rafael dos Anjos era mais condecorado na área e nada conseguiu fazer contra o russo no solo. Não espero que o norte-americano vá conseguir vencer por finalização, o que ele deve fazer é esperar os momentos de pouca cautela de Nurmagomedov, que às vezes parece querer provar que sabe lutar em pé. É como se Leonardo Da Vinci pegasse um pincel e tentasse fazer embaixadinha. 

Nurmagomedov vai acabar entrando na história como o maior peso leve de todos os tempos no MMA, talvez até com justiça, mas eu gostaria de vê-lo nessa categoria há dez anos, época em que BJ Penn não era nocauteado por um anônimo em uma briga de bar. O havaiano era um exímio defensor de quedas e prevaleceu em uma divisão com Diego Sanchez (o wrestler, não essa versão horrível dele), Gray Maynard e Sean Sherk, para dar alguns exemplos. Penn foi destronado por Frankie Edgar, que perdeu o título para Ben Henderson, dois especialistas em wrestling. 

Todos os citados foram (ou ainda não) atletas com virtudes e defeitos, o ponto é que no MMA existe a máxima de que “estilos fazem lutas”. Chris Weidman é muito inferior a Anderson Silva em vários aspectos, mas o Spider foi superado pelo algoz em todas as áreas, duas vezes, por causa do receio em ser derrubado pelo norte-americano. Quanto a Nurmagomedov, não o vimos falhar em aplicar uma queda e precisar acionar o plano B em um combate importante. Ganhando ou perdendo, tomara que aconteça no sábado, assim o evento principal será mais divertido do que assistirmos a mais um monólogo.

Outubro Rosa - A gente abraça essa luta