
O preço do cacau despencou drasticamente. Na bolsa de Nova York, a tonelada da amêndoa caiu 65,6% em menos de dois anos. O valor passou de US$ 10.945,62 em maio de 2024 para apenas US$ 3.761,26 em fevereiro de 2026.
Além disso, o mercado mundial enfrenta um excesso de oferta. Importantes produtores como Costa do Marfim e Gana acumularam estoques gigantescos. Ao mesmo tempo, a demanda global pelo produto diminuiu consideravelmente.
Produtores brasileiros vão às ruas
No Brasil, consequentemente, a situação gerou protestos públicos. Em janeiro, a Federação de Agricultura da Bahia divulgou nota contra importações africanas. Por isso, sindicatos, produtores e trabalhadores interditaram rodovias. Eles denunciaram preços baixos e possíveis esquemas de cartel.
Maria Goretti Gomes, da Federação da Agricultura do Pará, explica a inversão. “Até 2025, o mercado tinha pouca oferta”, afirma. Portanto, os preços dispararam com demanda gigantesca. “Em 2026, porém, acontece o contrário”, completa ela.
Atualmente, sobra produto e falta comprador. O mercado mundial está comprando menos cacau. Dessa forma, os preços despencam ainda mais.
Além da queda na bolsa, outro problema atinge produtores brasileiros. Compradores aplicam deságio sobre o cacau nacional. Consequentemente, os preços locais caem cada vez mais.
“Um produtor hoje gasta muito mais para produzir”, lamenta Maria Goretti. A margem de lucro ficou mínima. Por isso, muitos cacauicultores pensam em desistir da cultura. “É uma tristeza”, ressalta a coordenadora.
A principal luta do setor é manter competitividade. Portanto, agricultores pressionam o governo federal. Eles pedem o fim das importações isentas de impostos. Atualmente, o cacau estrangeiro entra no país sem taxação.
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