Bahia registra mais de mil casos de câncer colorretal

No Brasil, 36 mil novos casos registrados todos os anos, atingindo ambos os gêneros em igual proporção.

Tipo de câncer que acomete o intestino grosso, o câncer colorretal está entre os mais incidentes no mundo. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima uma média de 36 mil novos casos registrados todos os anos, atingindo ambos os gêneros em igual proporção.  Na Bahia, 1.156 pessoas foram internadas em decorrência da doença no ano passado, enquanto 337 casos já foram registrados esse ano, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado.

Os sintomas iniciais da doença incluem diarréia ou constipação, fezes finas e que apresentem sangue e/ou mucosa, inchaço na região abdominal, gases, fadiga ou falta de energia e perda de peso súbita.

“É um tipo de tumor maligno bastante frequente em homens e mulheres. Geralmente, a maior parte dos casos ocorre após os 50 anos , entretanto , cada vez mais nos deparamos com diagnósticos em pessoas mais jovens, a partir dos 30 ou 40 anos”, explicou a oncologista Anelisa Coutinho, da Clínica Amo.

A especialista pontuou que grande parte dos cânceres de intestino surgem a partir de lesões benignas, que podem se transformar ao longo do tempo em tumor maligno.

“O recomendado é realizar exames de triagem para detectar possíveis pólipos que possam vir a se transformar em tumor, ou detectar precocemente um câncer em uma fase onde o tratamento pode ser curativo”, afirmou.

Para pessoas que não apresentam nenhum sintoma da doença, a Associação Americana de Câncer (American Câncer Society)  recomenda iniciar os exames a partir dos 45 anos de idade.  Já para aquelas que começaram a sentir os sinais da doença, a orientação é procurar um gastroenterologista o quanto antes.

“Vale ressaltar que nem toda pessoa que tem pólipo terá um câncer , assim como nem toda pessoa que tem um câncer de intestino terá sangramento , e nem todo sangramento nas fezes será em razão de um tumor. Mas a correta avaliação deve ser feita em todos esses casos, sem demora”, aconselhou Anelisa Coutinho.

Nos estágios iniciais da doença, o tratamento é cirúrgico, com retirada da porção do intestino onde o tumor se encontra. Segundo Coutinho, em alguns casos haverá necessidade de complementar o tratamento com quimioterapia. As chances de cura chegam a mais de 90% quando a patologia é descoberta precocemente. Manter bons hábitos alimentares, realizar atividade física regularmente e evitar o fumo são fatores que ajudam a impedir o surgimento do câncer colorretal.

Para o gastroenterologista Allan Rego, coordenador do Serviço de Gastroenterologia do Hospital Cárdio Pulmonar, que, mais uma vez, aderiu à campanha Setembro Verde, “Estudos americanos concluem que nascidos nos anos de 1990 terão o risco dobrado de câncer de cólon e quadriplicado para tumores de reto quando comparados a pessoas nascidas em 1950”. Ele acrescenta que “O câncer de intestino atinge 30 mil brasileiros por ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Dados do instituto atestam que este é o segundo tipo mais comum de câncer entre as mulheres, perdendo apenas para o de mama, e o terceiro mais comum entre os homens depois dos de próstata e pulmão”.

O gastroenterologista orienta também que o intervalo de tempo para se repetir a colonoscopia depende do achado inicial, variando de um a 10 anos. “Além dos pólipos, a colonoscopia pode diagnosticar outras doenças intestinais, como divertículos e doenças inflamatórias”, completa Allan Rego.

A colonoscopia é realizada após o preparo (limpeza) do intestino, utilizando-se uma medicação que induz a diarreia. O preparo pode ser realizado em domicílio ou no hospital. No Cárdio Pulmonar, alguns exames são feitos com o preparo no hospital.

“O internamento garante maior segurança e conforto porque, ao tempo em que o paciente apresenta a diarréia, ele é também hidratado e permanece sob vigilância médica e da enfermagem até o momento do exame, realizado sob sedação, com a presença do anestesista. A anestesia faz com que o paciente não sinta dor ou qualquer outro desconforto”, pontua o coordenador.

JIU JITSU FERNANDO MEIRA