84,5% dos professores proíbem alunos de irem ao banheiro

Em estudo inédito conduzido no Brasil, 40% de crianças e adolescentes revelam que deixam de ir ao banheiro nas escolas porque professores não deixam

Em estudo inédito conduzido pelo urologista brasileiro e presidente da International Children’s Continence Society’s (ICCS)Dr. Ubirajara Barroso Jr., 40% de crianças e adolescentes participantes revelaram que deixam de ir ao banheiro nas escolas porque professores não deixam (84,5%), os ambientes têm um odor desagradável (16,2%), por terem vergonha (11,8%) ou por terem banheiros frequentemente ocupados (7,4%).

“O estudo encontrou uma associação entre urgência urinária e fatores como proibição do uso e odor desagradável que justificam a não ida ao banheiro nas escolas”, explica Dr. Ubirajara Barroso Jr, que é professor adjunto de Urologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

O estudo inédito RESTROOM USAGE AND ACCESS AMONG STUDENTS (R.U.A.S.) – Uso e Acesso aos Banheiros entre os Alunos (R.U.A.S.) avaliou o comportamento de crianças e adolescentes ao utilizarem banheiros em ambientes públicos e escolares. O trabalho foi aceito para ser apresentado no Congresso da ICCS, que acontece em setembro, em Viena (Áustria), e será publicado nos anais científicos do evento.

Um estudo anterior, realizado em Aarhus, na Dinamarca, demonstrou que os sintomas da disfunção do trato urinário inferior (DTUI) estão relacionados à insatisfação com o uso dos banheiros e ao adiamento do ato de urinar e isso motivou os pesquisadores brasileiros a verificarem se o mesmo ocorria no país.

Segundo Dr. Barroso, não há informações suficientes sobre esse problema em países em desenvolvimento. Assim, obter dados sobre as instalações sanitárias que possam favorecer o uso adequado por parte das crianças pode ser um ponto de partida importante para a implementação de políticas públicas de saúde.

Metodologia

O estudo, de base populacional, foi conduzido em duas cidades brasileiras – Salvador (BA) e Juiz de Fora (MG) – e avaliou os sintomas urinários por meio do questionário DVSS (Dysfunctional Voiding Scoring System – Sistema de pontuação de micção disfuncional), além da constipação intestinal com base nos critérios de Roma IV (questionário para diagnosticar transtornos gastrointestinais funcionais).

Os participantes foram questionados sobre a frequência com que evitam ir ao banheiro fora de casa e na escola, bem como os motivos para esse comportamento.

Crianças com condições neurológicas, crônicas ou anatômicas foram excluídas da amostra.

Resultados

A amostra foi composta por 402 crianças e adolescentes, com idade mediana de 8 anos. Desses, 51,7% eram do sexo feminino.

Entre os participantes, 11,2% apresentavam constipação intestinal, 12,2% sintomas do trato urinário inferior (LUTS) e 8,5% disfunção da bexiga infantil (DBI). Nas escolas, 75,4% relataram que os banheiros estavam localizados dentro da sala de aula ou no mesmo andar, enquanto 24,6% informaram que estavam em outro piso.

No total, 40% evitavam usar o banheiro escolar por motivos como: proibição por parte do professor 84,5%, odor desagradável 16,2%, vergonha 11,8% e banheiros frequentemente ocupados 7,4%.

O estudo encontrou associação entre urgência urinária e fatores como proibição do uso e odor desagradável. Um total de 74,1% participantes evitavam usar banheiros públicos, principalmente devido à má higiene 58,7%.

Evitar banheiros públicos foi associado ao uso de manobras de contenção e à urgência urinária.

“O estudo concluiu que fatores ambientais e sociais influenciam o comportamento de ida ao banheiro em crianças e adolescentes”, afirma Dr. Barroso.

A pesquisa contou também com a participação dos pesquisadores Anderson Luiz Pimentel Ferreira, Viviane Veloso, Felipe Santos Marimpietri, Juliana Costa, Manuela Ferreira, Liz Ribeiro Faria, Taynná Costa, José Murilo B. Netto, Hebert Leão da Silva, Glícia Abreu, Maira Luiza Veiga e Ana Aparecida Nascimento, da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

 

 

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