Entre janeiro e março de 2025, cerca de 800 mil contratos temporários foram firmados
Entre os meses de julho e setembro de 2025, a Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem) projeta que o Brasil firmará cerca de 600 mil contratos temporários. O número indica estabilidade em relação ao mesmo período de 2024, mas representa uma leve desaceleração quando comparado ao resultado expressivo do segundo trimestre, que registrou mais de 640 mil contratações.
O presidente da Asserttem, Alexandre Leite Lopes, afirma que a projeção mais cautelosa leva em consideração incertezas externas, especialmente a possibilidade de uma tarifa de importação de 50% anunciada pelos Estados Unidos a partir de 1º de agosto, que pode impactar diretamente setores estratégicos como a indústria e a logística, tradicionalmente os maiores geradores de vagas temporárias.
Segundo a entidade, a distribuição das vagas previstas no país para o terceiro trimestre mantém a tendência histórica do modelo. A indústria deve concentrar 45% do total de contratos firmados, o setor de serviços deve responder por 35% das vagas, o comércio por 15% e outros segmentos por 5%. Áreas como alimentação, produção industrial, logística e automobilística estão entre os destaques do período, impulsionadas pela necessidade de reforço de equipes durante as férias escolares e pela reorganização dos turnos em empresas que registram maior fluxo de pedidos. Além disso, datas como o Dia dos Pais e a retomada de eventos corporativos em várias capitais do país são fatores que tendem a puxar contratações temporárias, especialmente no comércio, na hotelaria e no setor de serviços voltados ao turismo.
O programa Carro Sustentável, que reduz o IPI sobre veículos compactos produzidos no Brasil, é outro fator que pode favorecer a indústria e ampliar a necessidade de contratações adicionais em linhas de produção e áreas ligadas ao escoamento da cadeia produtiva. Apesar desse movimento positivo, a Asserttem alerta que o ritmo de contratações no trimestre ainda dependerá do comportamento da economia global e do consumo interno.
No segundo trimestre de 2025, o mercado de trabalho temporário brasileiro alcançou um resultado expressivo, superando as próprias projeções da Asserttem. Entre abril e junho, foram firmados mais de 640 mil contratos, um crescimento de cerca de 7% em relação ao mesmo período de 2024. Esse foi o melhor desempenho desde o início da série histórica em 2014 e reforçou a importância do modelo como uma alternativa rápida e segura para empresas enfrentarem picos de demanda. A projeção inicial para o período era de 630 mil vagas, mas a recuperação de alguns setores produtivos e a retomada do consumo interno ajudaram a impulsionar os números.
O desempenho positivo do segundo trimestre se soma aos resultados do início do ano. Entre janeiro e março de 2025, cerca de 800 mil contratos temporários foram firmados em setores como agronegócio, saúde, turismo, educação, bem-estar e alimentos. A tendência é de que, até o fim do ano, o modelo se consolide como um dos principais responsáveis pela formalização de oportunidades em um cenário econômico ainda desafiador.
Na Bahia destaque será para turismo e comércio
Na Bahia, embora a Asserttem não divulgue dados regionais detalhados, entidades locais confirmam que o estado segue a tendência nacional. Representantes do setor estimam que a geração de vagas temporárias entre julho e setembro deverá oscilar entre estabilidade e leve crescimento em relação a 2024. A expectativa é de reforço nos setores da indústria, comércio, turismo e serviços, especialmente em Salvador e nas regiões litorâneas, onde o fluxo de turistas durante o período de férias escolares costuma aquecer a economia. Hotéis, restaurantes, bares e empresas ligadas ao setor de eventos são os maiores demandantes de mão de obra temporária nesse período, já que o turismo segue como um dos pilares da geração de empregos no estado.
Além do turismo, o comércio varejista baiano também deve contribuir para a abertura de vagas temporárias no terceiro trimestre, principalmente por conta das promoções sazonais e da necessidade de reforçar equipes para o atendimento de clientes em férias. O setor de serviços, em especial o de logística e call centers, tende a se beneficiar do aumento das compras online e do maior volume de entregas. Representantes do Sindicato dos Lojistas da Bahia (Sindilojas-BA) avaliam que, embora haja otimismo com o desempenho do setor, a geração de vagas dependerá de políticas de desoneração e de incentivos fiscais que possam permitir maior fôlego financeiro às empresas.
Para Alexandre Leite Lopes, presidente da Asserttem, o trabalho temporário segue sendo uma importante ferramenta de inclusão e de formalização do mercado de trabalho. Ele lembra que o regime jurídico, regulamentado pela Lei 6.019/74, assegura aos trabalhadores temporários direitos como salário equivalente ao dos efetivos, férias proporcionais, FGTS e 13º salário, ainda que não preveja aviso prévio, estabilidade em caso de gravidez ou multa de 40% do FGTS. Esses direitos, somados à possibilidade de efetivação, tornam a modalidade atrativa para trabalhadores em busca de estabilidade e experiência.
A Asserttem destaca que a taxa de efetivação vem crescendo nos últimos anos. Em 2024, cerca de 18% dos contratos temporários resultaram em contratações definitivas. Para 2025, a expectativa é de que esse percentual chegue a 30%, impulsionado pela necessidade das empresas de reter profissionais qualificados em um mercado cada vez mais competitivo. Essa tendência beneficia especialmente jovens em busca do primeiro emprego, mulheres, inclusive gestantes, e pessoas com mais de 40 anos que buscam reinserção no mercado formal.
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