Preços da carne bovina resistem na primeira quinzena de janeiro

Demanda firme sustenta valores, mas pagamento de tributos pode limitar altas na segunda metade do mês, aponta Cepea

Saldo da balança comercial somou US$ 5,53 bilhões, avanço de 8,4% em relação a 2024

Na contramão do comportamento tradicional do início do ano, os preços da carne bovina seguem sustentados na primeira quinzena de janeiro, conforme levantamentos do Cepea. De acordo com o Centro de Pesquisas, o principal fator de suporte é a demanda ainda firme, mesmo em um período marcado por despesas extras para os consumidores.

Historicamente, janeiro é um mês em que há substituição de cortes mais nobres por opções mais acessíveis, como carnes do dianteiro, além da maior procura por proteínas concorrentes, como suína e de frango. Neste início de 2026, porém, o consumo de carne bovina com maior valor agregado tem se mantido em patamar relevante, evitando quedas mais expressivas nos preços.

Agora, o mercado volta as atenções para a segunda metade do mês. Segundo analistas do Cepea, o início do pagamento de tributos pode reduzir o poder de compra das famílias e frear eventuais movimentos de alta da carne bovina, especialmente dos cortes mais caros.

No mercado de boi gordo, os preços permanecem praticamente estáveis, refletindo um cenário de oferta restrita e demanda equilibrada. Esse contexto tem mantido a relação favorável ao atacado em comparação ao valor pago ao produtor.

Desde novembro de 2022, o preço de 15 quilos de carcaça casada com osso no atacado da Grande São Paulo supera o valor da arroba do boi gordo pago ao pecuarista paulista, conforme o Indicador CEPEA/ESALQ, considerando valores deflacionados pelo IGP-DI. Na parcial de janeiro, essa vantagem da carne sobre o animal para abate é de R$ 25,64 por arroba.

 

 

Veja também