“Nunca cogitei sair do União Brasil”, diz ACM Neto

Desejo do ex-juiz Sergio Moro de disputar o Planalto causou mal-estar na legenda

Pré-candidato ao governo do estado falou ao A TARDE sobre cenário do partido – Foto: Olga Leiria | Ag. A TARDE

O ex-prefeito de Salvador ACM Neto afirmou que as informações de que deixaria o União Brasil, por conta da indisposição de ala do partido com a candidatura do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro ao Planalto, são inverídicas. Em conversa com o A TARDE, o pré-candidato ao governo da Bahia falou que jamais cogitou sair da sigla, recentemente formada a partir da união do DEM e do PSL.

“Essa hipótese jamais foi avaliada. Esse é o partido que ajudei a construir e pretendo seguir nele durante toda a minha vida pública”, afirmou.

Sobre o convite de outros partidos para que ele trocasse de legenda, à exemplo do PSDB, em carta assinada pelo presidente estadual da sigla, o deputado federal Adolfo Viana, e do PDT do seu aliado Leo Prates, Neto disse que uma coisa não teve nada a ver com a outra e que tudo foi apenas uma coincidência.

“Me senti muito honrado por ter sido convidado pelo PSDB, mas o convite não teve nada a ver com o que está acontecendo no União Brasil. O convite foi feito antes da entrevista do Moro”, contou.

O ex-chefe do Executivo da capital baiana se refere a entrevista concedida pelo ex-juiz Sérgio Moro, também na sexta-feira, 1, na qual disse que não desistiu de concorrer à Presidência da República. No dia anterior, Moro trocou o Podemos pelo União Brasil com a condição de que concorreria a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo estado de São Paulo e não mais concorreria ao Planalto, o que acabou criando um mal-estar dentro da cúpula do UB.

Com o projeto pessoal de chegar à presidência da República, Moro não é uma figura bem-vista pelo eleitorado baiano. Uma pesquisa recente da Genial/Quaest mostra que ACM Neto lidera as intenções de voto para o governo da Bahia com pontos que vão de 66% a 69%. No entanto, quando perguntados se votariam em um candidato apoiado por Moro, apenas 3% dos entrevistados responderam que sim.

Apesar do cenário, Neto nega que esse seja o motivo da rejeição da sua ala à candidatura do ex-juiz, que de acordo com ele não é prejudicial para a sua própria, mas foi categórico em afirmar que os objetivo do partido com a candidatura de Moro está bem delineado.

“A chegada dele ao partido tem um objetivo claro que é um projeto político em São Paulo. O União Brasil não vai apoiar Moro à Presidência. Ele é bem-vindo ao partido, mas para os nossos objetivos em São Paulo e não no cenário nacional”, pontuou.

Além de voltar atrás após dizer que desistiria da candidatura após o processo de mudança de partido, Moro se encontrou com o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB), envolto em imbróglio para lançamento de campanha ao Planalto, e com a senadora Simone Tebet (MDB), que já confirmou sua pré-candidatura, algo que foi visto como uma certificação da não desistência pela cúpula do União Brasil.

Essas atitudes fizeram com que parte da direção do partido reagisse e ameaçasse entrar com um pedido de impugnação da filiação do ex-juiz. As declarações de Moro desagradaram, sobretudo, os dirigentes do União Brasil que vieram do DEM, entre eles, ACM Neto, que é secretário geral do partido, o ex-senador José Agripino Maia, vice-presidente da legenda, o deputado Efraim Filho, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o senador e ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre e o prefeito de Salvador, Bruno Reis. Esses mesmos nomes assinaram, no dia 30, uma carta condicionando a chegada do ex-magistrado ao fato de que ele desistisse de investir no pleito presidencial.

Em nota divulgada na noite deste sábado, 2, e assinada pelos dois grandes nomes da legenda, Bivar e Neto, o União Brasil reafirmou que a filiação de Sergio Moro, a quem definiu como “homem íntegro, capaz de enriquecer, junto às demais lideranças partidárias, a discussão sobre o futuro que almejamos para o país”, tem como objetivo a construção de um projeto político-partidário no estado de São Paulo e “e facilitar a construção do centro democrático, bem como o fortalecimento do propósito de continuarmos crescendo em todo país”.

O comunicado deve ser visto como um ultimato para que o ex-juiz, ainda que não se fale em impugnação, desista de vez do Planalto em 2022.

Escolha do vice

Com seu destino no União Brasil sacramentado, a definição de ACM Neto cai agora sobre a composição da sua chapa para concorrer ao Palácio de Ondina nas eleições de outubro. Sobre o assunto, Neto segue dizendo que não está com pressa e que o prazo é até o início das convenções partidárias e que antes disso, não se apressará em tomar uma decisão.

“A nossa definição foi de postergar a definição do vice. Estou tranquilo e a escolha será pelo nome que mais agregar à chapa, tanto nas eleições deste ano quanto no eventual governo. Por enquanto estamos focados em definir as candidaturas dos deputados”, disse.

Um dos cogitados para ser o companheiro de chapa de Neto era o prefeito de Mata de São João, João Gualberto (PSDB), que acabou por não se desincompatibilizar do cargo no prazo determinado pela Lei Eleitoral para concorrer no pleito deste ano.

Os outros nomes ventilados para a vaga de vice-governador de ACM Neto são os deputados federais Marcelo Nilo (Republicanos), Márcio Marinho (Republicanos) e Félix Mendonça Jr. (PDT) e o ex-prefeito de Feira de Santana e candidato ao governo da Bahia nas eleições de 2018, José Ronaldo (PDT).

A falta de definição do nome não parece incomodar os pretendentes. Um deles, o congressista Marcelo Nilo (Republicanos), afirmou que todos os especulados estão e estarão engajados com a eleição de Neto independente do nome que seja escolhido.

“Estamos com ele, faça chuva ou faça sol. Claro que quero ser vice, estou com muita vontade de ser vice. Hoje estou muito bem com ACM Neto e temos uma relação muito próxima. Mas a escolha é dele e o tempo é dele. Quando ele escolher, nós quatro, acho, acataremos a decisão”, disse ao A TARDE.

O deputado disse ainda não ter “plano B” para as eleições deste ano. “Por enquanto eu tenho o ‘Plano A’, que é ser candidato a vice. Se eu não for convidado, provavelmente vou sair a deputado federal e vou me sentar com o partido e farei tudo combinado com o Republicanos. Espero ser o escolhido para vice. Mas se não for, trabalharei par aquele que for o escolhido”, concluiu.