O resultado reforça o papel da mineração como uma das bases da economia baiana, responsável por cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado.

A mineração baiana iniciou 2026 em ritmo de crescimento, consolidando-se como um dos setores estratégicos da economia estadual. Em janeiro deste ano, a Produção Mineral Baiana Comercializada (PMBC) alcançou R$ 1,8 bilhão, frente aos R$ 1,4 bilhão registrados no mesmo período de 2025, o que representa alta de 28,6%.
O bom desempenho segue a tendência observada em 2025, quando a PMBC somou R$ 14 bilhões, crescimento de 37,5% em relação a 2024, quando o valor foi de R$ 10,2 bilhões. O resultado reforça o papel da mineração como uma das bases da economia baiana, responsável por cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Angelo Almeida, o desempenho do setor demonstra a força da atividade mineral no estado e o impacto das políticas de desenvolvimento voltadas à área.
Segundo ele, o avanço da produção, das exportações e da arrecadação confirma a importância estratégica da mineração para geração de emprego, renda e oportunidades nos municípios produtores. A Bahia ocupa atualmente a terceira posição entre os maiores produtores minerais do país, atrás apenas de Minas Gerais e Pará, respondendo por cerca de 4,5% da produção nacional.
O crescimento da atividade também se reflete na arrecadação pública. Em janeiro de 2026, a Bahia arrecadou R$ 31 milhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). Desse total, cerca de R$ 6 milhões foram destinados ao Estado e R$ 18 milhões aos municípios produtores.
No comércio exterior, a balança mineral também apresentou resultado positivo. As exportações de bens minerais somaram cerca de US$ 116,6 milhões em janeiro, enquanto as importações totalizaram US$ 13,9 milhões, garantindo superávit para o setor.
O ouro liderou a pauta exportadora, com US$ 106,2 milhões, valor significativamente superior aos US$ 60,6 milhões registrados no mesmo período do ano passado. Além dele, produtos como vanádio, rochas ornamentais, pedras preciosas, talco, quartzo e magnesita também tiveram destaque nas vendas externas.
De acordo com o presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Henrique Carballal, a diversidade mineral é uma das principais forças do estado. Das 93 substâncias minerais produzidas no Brasil, 47 estão presentes na Bahia, evidenciando o potencial geológico do território baiano.
Carballal explica que a CBPM tem papel central na ampliação do conhecimento geológico do estado, realizando pesquisas, levantamentos técnicos e estudos que ajudam a transformar o potencial mineral em projetos estruturados capazes de atrair investimentos.
Entre os minerais com maior potencial econômico estão níquel, cobre, cobalto, ferro, titânio, vanádio, grafita e terras raras, considerados estratégicos para cadeias produtivas ligadas à transição energética e à indústria tecnológica.
Além dos minerais críticos, o ouro segue como um dos ativos mais relevantes da mineração baiana. O estado abriga importantes projetos ligados ao minério, incluindo uma das maiores operações do país, localizada no município de Santaluz.
Segundo a CBPM, a companhia também vem ampliando sua atuação, indo além da pesquisa mineral e assumindo papel estratégico na estruturação de projetos, na articulação com investidores e na criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento do setor.
A estratégia inclui incentivar parcerias com a iniciativa privada e estimular a industrialização no próprio território baiano, agregando valor à produção mineral e ampliando a geração de emprego e renda.
Entre as iniciativas em andamento está a elaboração da Política Mineral da Bahia, conduzida pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico. A proposta é estabelecer diretrizes para o crescimento sustentável da atividade no estado.
Como parte desse processo, será realizado no dia 16 de março o Mining Summit Bahia, no Museu Geológico da Bahia, em Salvador. O evento reunirá autoridades, especialistas, empresas e investidores para discutir o futuro da mineração diante dos desafios globais de inovação, sustentabilidade e segurança jurídica.
A Bahia possui uma das maiores diversidades minerais do país e produz mais de 40 tipos diferentes de minérios. O estado é o único produtor nacional de vanádio, urânio e salgema, além de liderar a produção de cromita, magnesita, talco e diatomita, e se destacar na produção de rochas ornamentais especiais.
Com esse potencial geológico e o avanço de novos projetos ligados à economia de baixo carbono, a expectativa é que a mineração continue ampliando sua contribuição para o desenvolvimento econômico da Bahia nos próximos anos.
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