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Marcelo Odebrecht é interrogado por Moro em ação da Lava Jato que envolve Bendine

Ex-presidente do Grupo Odebrecht foi ouvido por cerca de uma hora e meia, em Curitiba. Além dele, outros dois réus do mesmo processo devem ser interrogados pelo juiz nesta quinta-feira (9).

Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo Odebrecht está preso desde junho de 2015 (Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)

O ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, foi ouvido pelo juiz Sérgio Moro, que é responsável pelos processos da Lava Jato, por cerca de uma hora e meia na manhã desta quinta-feira (9), na sede da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba.

Marcelo foi interrogado na condição de réu em um processo que envolve o ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine.

Odebrecht está preso na carceragem da Polícia Federal (PF), também na capital paranaense. Ele foi detido na 14ª fase da operação, deflagrada em junho de 2015.

Moro também devem ouvir os réus Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e Álvaro José Galliez Novis, a partir das 14h.

A denúncia trata dos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e embaraço às investigações e foi aceita pelo juiz no dia 24 de agosto.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, os crimes ocorreram de 2014 a 2017. Em 2015, Bendine deixou o Banco do Brasil com a missão de acabar com a corrupção na petroleira, alvo da Lava Jato. Mas, segundo delatores da Odebrecht, Bendine já cobrava propina no Banco do Brasil e continuou cobrando na Petrobras.

Quando comandava o Banco do Brasil, Bendine pediu R$ 17 milhões à Odebrecht para rolar uma dívida da empresa com a instituição. Mas Marcelo Odebrecht e Fernando Reis disseram em delação premiada que não pagaram o valor por acharem que Bendine não teria capacidade de influenciar no contrato.

Na véspera de assumir a presidência da Petrobras, em 6 de fevereiro de 2015, Aldemir Bendine e um de seus operadores financeiros novamente solicitaram propina a Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, segundo o MPF.

Investigadores dizem que o pedido foi feito para que a empreiteira não fosse prejudicada em seus interesses na Petrobras, inclusive em relação às consequências da Operação Lava Jato. Segundo os delatores, a Odebrecht optou por pagar os R$ 3 milhões pelo Setor de Operações Estruturadas, como era chamada a área responsável pelas propinas na empresa.

Foram feitas três entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada uma, em São Paulo, entre junho e julho de 2015, com atuação de Álvaro Novis. Parte do valor da propina ainda foi passado a Bendine de forma dissimulada com o pagamento de uma viagem internacional feita por ele no final de 2015, afirma o MPF.

Em 2017, quando já sabiam que estavam sendo investigados, André, Antônio Carlos e Bendine tentaram dissimular o recebimento de propina como se tivessem origem em serviços de consultoria prestados à Odebrecht, segundo a denúncia. Para isso, fizeram o recolhimento de tributos da falsa consultoria.

Fonte: G1

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