A taxa de desemprego no Brasil atingiu o menor nível da série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ao atingir 5,4% no trimestre encerrado em outubro, segundo divulgação desta sexta-feira (28). Trata-se também do menor número absoluto de desocupados já registrado, reforçando que o mercado de trabalho segue aquecido.
A leitura da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua) ficou um pouco abaixo da expectativa da pesquisa da Reuters, que projetava 5,5%. Nos três meses anteriores, até julho, a taxa havia sido de 5,6%, enquanto no mesmo período de 2024 era de 6,2%.
O dado do trimestre até outubro também mostrou recuo em relação aos 5,6% registrados nos três meses até setembro, até então o menor patamar desde o início da série em 2012.
O mercado de trabalho tem mostrado vigor ao longo de 2025, sustentando mínimos históricos de desocupação. Esse movimento ajuda a suavizar a desaceleração da atividade econômica diante da política monetária contracionista, mas ao mesmo tempo dificulta o controle da inflação, impulsionada pela renda mais elevada dos trabalhadores.
No trimestre até outubro, a renda média real atingiu o recorde de R$ 3.528, com altas de 0,8% em relação ao trimestre até julho e de 3,9% na comparação anual.
O BC (Banco Central) mantém a taxa Selic em 15% ao ano, o maior nível em duas décadas, na tentativa de levar a inflação à meta contínua de 3%, ainda sem indicar quando poderá iniciar um ciclo de cortes.
Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, o elevado contingente de pessoas ocupadas nos últimos trimestres tem reduzido a pressão por busca de trabalho e contribuído para a queda da taxa de desocupação.
No trimestre até outubro, o número de desempregados caiu ao menor nível desde o início da pesquisa, chegando a 5,910 milhões. O resultado representa recuo de 3,4% frente ao trimestre anterior e queda de 11,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Recorde de ocupados
O total de ocupados avançou 0,1% no trimestre e 0,9% em um ano, alcançando 102,555 milhões, também um recorde.
Leonardo Costa, economista do ASA, destacou que a Pnad de outubro registrou a terceira queda consecutiva da população ocupada na série ajustada sazonalmente. Para ele, isso indica que o mercado de trabalho começa a refletir, ainda que de maneira lenta, a desaceleração da atividade econômica.
O emprego com carteira assinada no setor privado somou 39,182 milhões de trabalhadores, alta de 0,2% em relação ao trimestre até julho e novo recorde. Já o contingente sem carteira cresceu 1,0%, chegando a 13,605 milhões.
Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, lembrou que os dados do Caged divulgados na véspera mostraram a criação de 85.147 vagas formais em outubro, o pior saldo para o mês na série do Novo Caged e abaixo das expectativas. Segundo ela, os indicadores reforçam sinais de desaceleração na dinâmica do mercado de trabalho.
O resultado de outubro confirma um mercado ainda aquecido, mas em uma fase mais avançada do ciclo, com indícios claros de moderação tanto no emprego formal quanto no conjunto da ocupação medido pela Pnad. Após ter atingido o menor nível de desemprego da série, a taxa tende a se estabilizar e pode apresentar leve alta nas próximas leituras.
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