Com 17 milhões de foliões e 3.500 trabalhadores cadastrados, festa é oportunidade real de crescimento e realização de sonhos

Enquanto milhões de foliões ocupam os circuitos do Campo Grande e da Barra, um outro espetáculo acontece longe dos trios elétricos: o da economia popular. Para milhares de trabalhadores informais, o Carnaval de Salvador também é planejamento financeiro, estratégia e oportunidade concreta de transformação de vida.
Em 2026, os números ajudam a dimensionar essa força. De acordo com a Empresa Salvador Turismo (Saltur), são 12 dias de programação, 25 quilômetros de folia e oito circuitos oficiais. A expectativa é de mais de 17 milhões de pessoas circulando pela cidade, incluindo 1,2 milhão de turistas. A festa reúne cerca de 520 atrações gratuitas e mais de 3 mil horas de música, com estimativa de R$ 2,6 bilhões movimentados na economia e 250 mil empregos gerados, entre diretos e indiretos. Somente neste ano, 3.500 ambulantes foram cadastrados oficialmente para trabalhar.
Entre eles está Milana de Cássia, que há cinco anos vende bebidas durante o Carnaval com metas bem definidas. Para ela, cada edição é um passo no planejamento de vida.
“Eu não venho só para vender. Eu venho com objetivo”, afirma. “Ano passado consegui mobiliar minha casa inteira com o lucro. Esse ano quero juntar R$ 8 mil para comprar meu terreno.”
Milana conta que, em dias de maior movimento, o faturamento pode ultrapassar R$ 1.500. “Tem dia que a gente ganha o que levaria um mês inteiro para conseguir fora daqui”, diz, enquanto organiza o isopor e calcula o estoque.
Francisca Silva conhece bem essa realidade. Foi com o dinheiro do Carnaval que ela conseguiu dar entrada na casa própria. Agora, o objetivo é ampliar o imóvel.
“Foi com o dinheiro do Carnaval que consegui dar entrada na minha casa”, conta. “Agora quero construir mais um quarto. Durante o ano a gente sobrevive. No Carnaval, a gente cresce.”
O impacto vai além dos ambulantes que circulam entre blocos e pipocas. Distribuidores, fornecedores, pequenos comerciantes e grandes patrocinadores também sentem o efeito da engrenagem econômica que gira a cada verão. Para a Ambev, patrocinadora oficial da festa com a marca Brahma, o evento é um dos principais motores econômicos da capital baiana.
“O Carnaval é um dos maiores geradores de renda de Salvador. Para milhares de ambulantes, é uma oportunidade real de crescimento financeiro”, afirma Felipe Cessin, diretor Comercial da Ambev. “Quando a festa cresce, toda a cadeia cresce junto.”
Entre planilhas improvisadas, metas pessoais e dias intensos de trabalho sob o sol, Milana e Francisca representam o lado menos visível da maior festa de rua do mundo. Para elas — e para milhares de famílias — o Carnaval não é apenas celebração. É o mês que salva o ano.
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