Brasil é o 5º lugar no ranking de construções verdes

O modo como se vestem, como se alimentam, como se locomovem… Como moram. Cada vez mais pessoas têm tomado medidas para viver bem e de bem com a natureza. Hoje, o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de construções verdes da Leadership in Energy and Environmental Design (Leed), certificado dado pelo United States Green Building Council. Mas como e o que podemos fazer para tornar nossa casa mais sustentável?

“Basta imaginar uma casa que tenha o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico, impactos socioambientais e uso de recursos naturais, resultando numa melhor qualidade de vida e bem-estar”, explica Felipe Faria, diretor do Green Building Council (GBC) no Brasil. No ranking da organização norte-americana, que visa elevar a indústria da construção e a sustentabilidade, o Brasil só perde para os EUA, China, Índia e Canadá.

Felipe explica que ações como o uso eficiente da água, energia, materiais, recursos e qualidade ambiental interna são alguns do pré-requisitos para tornar uma casa mais sustentável. Assim como precisa ser viável financeiramente. “A viabilidade financeira advém com a conceituação integrada de projeto e a busca por maximizar as oportunidades de eficiência para cada caso de acordo com sua localização, objetivos, parcerias e experiência das equipes”.

Ter o máximo de possibilidades disponíveis é um dos motivos que fazem Mariana Noronha, arquiteta do escritório Eco Domi Containers, afirmar ser muito bom embarcar em um projeto de casa sustentável desde o início de sua criação. “Aí precisamos avaliar o clima do terreno, como os clientes irão usar essa casa, qual o gosto estético deles e o orçamento disponível”. Todas essas respostas vão ser usadas para a definição do projeto e as técnicas sustentáveis que poderão ser usadas.

No projeto da casa de praia em Sauipe, que fez junto com as arquitetas Clarice Arruti e Lídice Araújo, Mariana conta que o objetivo era integrar a casa ao meio ambiente a sua volta. Usando o teto da cozinha como mirante, para que os donos pudessem usufruir da vista, a casa foi pintada com tintas feitas de terra, criadas no local especialmente para a construção. “Utilizamos também outros itens de sustentabilidade, como o pergolado de bambu, sistema de esgoto BET (bacia de evapotranspiração), e reúso de portas, janelas e madeira de demolição”.

Investimento inicial

O investimento inicial para uma casa sustentável varia muito e depende dos desejos do morador. Isso faz com que o valor investido inicialmente possa ser bem baixo, ou bem alto. Mas a economia a longo prazo é enorme. “A disposição do proprietário vai determinar o valor gasto inicialmente, que, mesmo que seja alto, é um custo que se dilui ao longo de seu uso, já que uma casa sustentável é bem mais econômica”, conta o arquiteto Adriano Mascarenhas.

Fundador do escritório Sotero Arquitetos, que já ganhou prêmios nacionais e publicações no Brasil e exterior, Adriano explica que existem soluções sustentáveis de processo, onde durante a construção técnicas são usadas, desperdiçando menos material. Há ainda as de cunho passivo, onde a arquitetura define a questão sustentável durante a criação do projeto, como, por exemplo, a orientação solar e a passagem de vento.

Essa foi uma das principais soluções usadas no seu projeto da casa de praia de Itapuã, realizado este ano. Com uma estrutura de madeira laminada colada, ela contribui para reduzir ao mínimo os resíduos em obras, graças à tecnologia usada em sua fabricação. Com vãos grandes e as linhas livres, a continuidade visual dentro do espaço permite a entrada ao máximo de luz natural e ventilação.

“Ainda foram feitas ações de reaproveitamento de água, onde a água recolhida é usada para regar o jardim. Na parte de alvenaria do teto há um terraço verde. Técnica que não apenas evita pontos de alagamento ao retardar a queda da água da chuva no solo, mas também alivia a temperatura”, ele explica. Essas são soluções sustentáveis ativas, onde são usados equipamentos que aumentam a performance sustentável de uma casa.

As soluções ativas são as procuradas por pessoas que, morando em uma casa “normal”, a desejam tornar mais sustentável. “É sempre necessário avaliar cada caso individualmente, mas geralmente é possível incluir um sistema de captação de água de chuva e criar um teto verde”, explica Mariana. Já para ser sustentável durante uma reforma, as soluções de processo são postas em prática, e a arquiteta recomenda que se dê a materiais locais e ecológicos.

*Sob a supervisão da editora Cassandra Barteló