Adversários vão explorar intimidade de Flávio com Vorcaro: “irmão”

Petistas afirmam que mensagens e áudio mostram proximidade com dono do Master investigado por fraude financeira

Adversários do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) devem passar a explorar a relação de intimidade do pré-candidato à Presidência com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Para além do pedido de dinheiro para custear o filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), petistas apontam que as mensagens e áudios evidenciam uma inegável proximidade com o ex-banqueiro investigado por uma fraude financeira bilionária. A avaliação é que isso pode gerar mais desgaste do que o próprio pedido de patrocínio.

Nas mensagens reveladas em reportagem do site The Intercept, Flávio chega a chamar Vorcaro de “irmão”. Em outro momento, o filho mais velho de Bolsonaro presta solidariedade ao banqueiro que já era alvo de investigação.

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio Bolsonaro a Vorcaro, no dia 16 de novembro de 2025, um dia antes da operação da PF (Polícia Federal) que prendeu o ex-dono do Banco Master no Aeroporto de Guarulhos.

Em áudio no dia 8 de setembro, o senador, ao cobrar o pagamento para o filme, diz saber do “momento dificílimo” pelo qual o banqueiro passa. Cinco dias antes, o Banco Central havia rejeitado a compra do Master pelo BRB.

“Irmão, eu preferi te mandar o áudio aqui pra você ouvir com calma. Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei como é que vai ser daqui pra frente, como é que isso tudo vai acabar, mas tá na mão de Deus aí. E você também, eu sei que você tá passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda. Não… não sei se você sabe exatamente como é que vai caminhar isso tudo.”

A reportagem do The Intercept também mostra Flávio tentando marcar, em outubro, um jantar com Vorcaro e o elenco do filme biográfico de Bolsonaro. Em 7 de novembro, o senador manda um vídeo de visualização única e diz: “Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”.

O entorno de Flávio Bolsonaro tenta minimizar a repercussão do caso. Admite o desgaste, mas avalia que a explicação do senador surtirá efeito. A ordem na pré-campanha é não alterar a rotina e manter a agenda.

O pré-candidato disse a aliados que o risco de novos vazamentos é “zero” e afirmou que o contato com o banqueiro investigado se limitar à captação de patrocínio.

Nesta quarta-feira (13), o site Intercept Brasil divulgou reportagem afirmando que Flávio negociou diretamente com Vorcaro um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro. A publicação cita áudios, mensagens e documentos atribuídos às conversas entre os dois.

Em nota divulgada nesta quarta-feira, Flávio Bolsonaro se defendeu dizendo que só conheceu o ex-banqueiro em 2024, quando o governo Bolsonaro não estava mais no poder. Ele voltou a defender a instalação da CPI do Banco Master e reafirmou que o contato foi apenas para buscar recursos privados para o filme em homenagem ao pai.

“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”, disse.

O senador disse ainda que o contato foi feito apenas para cobrar a retomada do pagamento das parcelas de patrocínio para a conclusão do filme. “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do Master já“, concluiu.

 

 

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