Governo libera R$ 547 milhões para ressarcir aposentados e pensionistas do INSS por descontos indevidos

governo federal autorizou o repasse de R$ 547 milhões para ressarcir beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que foram afetados por descontos indevidos em seus benefícios. A medida foi publicada na edição do Diário Oficial da União (DOU) da última terça-feira (21), e prevê a abertura de um crédito extraordinário para garantir a devolução dos valores descontados de forma irregular. As informações são da Agência Brasil.

O recurso será destinado ao programa Previdência Social: Promoção, Garantia de Direitos e Cidadania e será executado pelo próprio INSS. A verba integra o orçamento da seguridade social e tem como objetivo reembolsar beneficiários do Regime Geral de Previdência Social que tiveram valores retirados sem autorização.

Crédito extraordinário será usado para devolução de valores do INSS

O crédito extraordinário autorizado pelo governo é um mecanismo previsto na Constituição Federal para atender despesas consideradas urgentes e imprevisíveis. Nesses casos, os recursos podem ser liberados por meio de medida provisória, com validade imediata, antes da análise do texto pelo Congresso Nacional.

A medida está prevista na Medida Provisória nº 1.378, que será encaminhada aos parlamentares para avaliação e possível conversão em lei. A execução dos valores ficará sob responsabilidade do INSS, que deverá utilizar os recursos para o pagamento dos ressarcimentos aos segurados atingidos pelos descontos irregulares.

PF indicia 48 pessoas por suspeita de corrupção em esquema de descontos indevidos

Polícia Federal (PF) indiciou, no dia 14 de julho, o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Antônio Stefanutto, o ex-procurador-geral da autarquia, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, o ex-diretor de benefícios André Fidelis e outros investigados por suspeita de corrupção e crimes relacionados a descontos indevidos em aposentadorias.

O relatório final apresentado pela PF reúne 48 indiciados por crimes envolvendo descontos realizados sem autorização em benefícios previdenciários. A investigação, iniciada em abril do ano passado, apura um esquema que teria causado prejuízos estimados em cerca de R$ 6 bilhões a aposentados e pensionistas.

PF aponta propina e omissão na fiscalização do INSS

Segundo o relatório da Polícia Federal, Alessandro Antônio Stefanutto teria deixado de fiscalizar entidades associativas quando ocupava os cargos de procurador e presidente do INSS, em troca do recebimento de pagamentos de propina.

A PF indiciou Stefanutto pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O relatório também aponta que o ex-presidente do instituto teria recebido valores por meio de empresas consideradas de fachada, incluindo uma pizzaria. De acordo com a investigação, os pagamentos ilegais teriam ocorrido de forma recorrente.

“Em troca de sua omissão fiscalizatória deliberada recebeu propinas mensais recorrentes que alcançaram o patamar de R$ 250.000,00 mensais”, diz trecho do relatório da PF que fundamentou o indiciamento.

Além de Stefanutto, Virgílio Antônio Ribeiro Filho e André Fidelis também foram indiciados pelos mesmos crimes. Os três estão presos preventivamente desde o final do ano passado. A defesa do ex-presidente informou que ainda não teve acesso ao relatório de indiciamento. As demais defesas dos investigados ainda não haviam se manifestado.

Relatório investiga descontos ligados à Conafer

O relatório encaminhado pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF) tem como foco os crimes relacionados aos descontos indevidos atribuídos à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). A Polícia Federal classificou a entidade como uma possível organização criminosa, com divisão hierárquica e diferentes núcleos de atuação.

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