Parlamentares pedem prisão de Flávio Bolsonaro e abertura de CPI após revelação sobre relação com Banco Master

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que será candidato à presidência em 2026 | Crédito: Pablo Porciuncula/AFP

A revelação de que o senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) articulou com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o valor de R$ 134 milhões para financiar o filme biográfico “Dark Horse“, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), levou a pedidos de prisão do senador e abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito. A denúncia foi feita pelo site The Intercept.

Para o ex-deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ), a candidatura do senador “acabou”. “Flávio Bolsonaro pediu R$ 61 milhões a Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, para bancar o filme do pai. Eduardo intermediou. Parte do dinheiro foi parar em um fundo no Texas controlado por aliados de Eduardo.Não existe candidatura à Presidência depois disso. Acabou”, escreveu.

Do total pedido por Flávio, Vorcaro chegou a repassar aproximadamente R$ 61 milhões. As mensagens mostram a pressão de Flávio sobre Vorcaro para receber os valores, além da familiaridade da relação entre os dois. Um dia antes de Vorcaro ser preso, Flávio enviou uma mensagem de apoio: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

No dia seguinte, Vorcaro foi preso quando tentava fugir do país por operar um esquema de fraudes que causou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). No dia seguinte, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou que o caso expõe um acordão na extrema direita e que deve ser aberta uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o caso.

“Agora está claro o acordão no Congresso para derrotar [o Advogado-Geral da União, Jorge] Messias no STF, aprovar anistia para os golpistas e aliviar para corruptos do centrão e da extrema direita! Vorcaro foi preso e o Banco Master entrou em liquidação, consolidando a suspeita de que a relação ia muito além de contato eventual: era uma engrenagem de financiamento, proximidade pessoal e articulação política”, postou Correia, nas redes sociais.

Parte do dinheiro pedido por Flávio Bolsonaro foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. “A familícia está inteira em fraudes, escândalos e corrupção. Investigar, responsabilizar e punir todos já”, postou a deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP).

Natália Bonavides, deputada federal pelo PT do Rio Grande do Norte, lembrou as recentes denúncias de que o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira, cotado para ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro, recebia uma mesada de R$ 500 mil de Daniel Vorcado, dono do Banco Master. Para ela, a situação mostra que a direita é uma máfia.

“Após o escândalo da mesada de R$ 500 mil para Ciro Nogueira, surge mais um capítulo que parece roteiro de filme de máfia”, afirmou a parlamentar.

Nas redes, o entorno de Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou sobre o escândalo.

 

 

 

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