48 prefeitos do Paraná anunciam saída do PL após chegada de Moro

Movimento foi anunciado em coletiva de imprensa em Curitiba nesta quinta-feira organizada pelo ex-presidente do diretório estadual do partido, Giacobo, que afirmou que houve ‘quebra de acordo’

Da esquerda para a direita: senador Sergio Moro; deputado federal Giacobo e governador do Paraná, Ratinho Jr.

Da esquerda para a direita: senador Sergio Moro; deputado federal Giacobo e governador do Paraná, Ratinho Jr. — Foto: Agência O Globo e Reprodução/Redes Sociais

Depois da entrada o senador Sergio Moro ao PL, o partido enfrentou uma debandada de 48 dos 53 prefeitos antes filiados à sigla no estado. O movimento foi anunciado em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira e puxado pelo ex-presidente do diretório estadual, o deputado federal Giacobo, que também afirmou que está de saída da legenda. Adversário de Moro no Paraná, o parlamentar chegou a colocar seu nome à disposição para concorrer ao governo, mas foi preterido pela direção nacional, que optou por endossar Moro.

Durante o encontro desta quinta-feira, o deputado afirmou que a decisão foi baseada em uma “quebra de um acordo” firmado previamente pela sigla, que incluía o apoio de uma chapa ligada ao governador Ratinho Jr.

— E sempre disse, em alto e bom som: nós do PL vamos acompanhar, para governador, o candidato escolhido pelo Ratinho, quer seja quem for. Não fui eu que quebrei acordo nenhum — disse. — Não fui eu que filiei o Moro para ser candidato a governador, que não é o candidato do Ratinho. Então, minha gente, a minha decisão é baseada na coerência. Eu estou triste, sim, por deixar. Não tenho nada contra o PL, só a favor de um partido de direita que defende aquilo que eu sempre defendi. Mas é momento de nós termos coragem.

Antes do partido anunciar Moro como candidato, o parlamentar chegou a se colocar como opção para disputar o comando do Executivo estadual e encabeçar um palanque próprio para o senador Flávio Bolsonaro (PL). No início do mês, ele articulou para ter o nome testado pela primeira vez em uma pesquisa de intenção de voto contratada pelo diretório nacional da sigla.

A divulgação do resultado, no entanto, foi impedida por uma decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do estado na semana passada, que afirmou que a difusão do resultado poderia “influenciar de maneira irreversível a opinião pública e comprometer o equilíbrio do pleito”, uma vez que o questionário aplicado testava o nome de Giacobo “com o apoio de Flávio Bolsonaro”, mas não fazia menções aos padrinhos polítcos de parte dos outros candidatos, com exceção do deputado estadual Requião Filho (PDT), apoiado pelo PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dentro da cúpula nacional do partido, a possível candidatura do deputado também havia aparecido como vetada nas anotações divulgadas de Flávio, que o colocavam como alguém que “não pode ser candidato” por determinação do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto. Contrário ao endosso dado por parte da direita a Moro, Giacobo também acionou a Justiça Eleitoral em nome do PL para a cassação do mandato do senador após as eleições de 2022, sob acusação de abuso de poder político e econômico durante a corrida eleitoral.

Fissura na base governista e desistência de Ratinho Jr

Com o anúncio do endosso dado a Moro, o PL fechou as portas para uma aliança que vinha sendo costurada entre o partido e o grupo do governador, que incluía a indicação do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) ao Senado em uma chapa encabeçada por um sucessor escolhido pelo governador. A decisão foi tomada pela sigla bolsonarista após Ratinho sinalizar a aliados de Flávio no início do mês que não abria mão de se lançar como candidato à Presidência.

Na última segunda-feira, no entanto, o governador anunciou a desistência do voo nacional. Sob o risco de ver seu grupo político perder o comando do estado para Moro, Ratinho decidiu permanecer no cargo de governador até o fim do mandato e usar a força da máquina para impulsionar a candidatura de seu sucessor, que ainda não foi definido formalmente. Como opções, ele tem à disposição os nomes do secretário das Cidades, Guto Silva — visto como o mais próximo do mandatário, mas enfrenta resistências dentro do PSD — e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD).

Em paralelo, ao longo dos últimos dias, o atual prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, também passou a ser ventilado como uma possível opção. Ele, no entanto, teria que renunciar ao cargo ainda em seu primeiro mandato e entregaria a máquina ao seu vice, Paulo Martins (Novo), cujo partido está alinhado ao Moro. Na chapa dele, a sigla ficará com uma das vagas ao Senado, oferecida ao ex-deputado federal e ex-procurador da Lava-Jato Deltan Dallagnol, que corre o risco de ter a candidatura impugnada em função da Lei da Ficha Limpa.

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