Tarcísio negocia anistia e Lula perde força em meio a julgamento de Bolsonaro

Tarcísio em evento do Progressistas

Tarcísio articula aprovação do PL da Anistia, que deve receber apoio do União Progressista após desembarque do governo Lula. (Foto: Paulo Honorato/Divulgação/PP)

Enquanto o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL-RJ) é julgado no Supremo Tribunal Federal (STF), o trabalho da oposição pela votação da anistia no Congresso Nacional ganhou o reforço do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). A movimentação aconteceu nesta terça-feira (2), dia em que o STF deu início ao julgamento dos réus do chamado “núcleo 1” no inquérito da suposta tentativa de golpe de Estado. Na mesma data, PP e União Brasil anunciaram que irão entregar os cargos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que enfraquece ainda mais a gestão petista e reforça a articulação pela anistia.

Além de atuar nos bastidores pela anistia dos condenados do 8 de janeiro e pela recuperação dos direitos políticos do ex-presidente, Tarcísio subiu o tom contra o Supremo, com críticas públicas à condução dos processos. No Congresso, o projeto da anistia já havia sido elencado como uma das prioridades da articulação política dos apoiadores de Bolsonaro. A expectativa da oposição é de que o tema ganhe ainda mais força em meio ao julgamento feito pela Primeira Turma do STF.

“A anistia precisa ser pautada. Entendemos que já está construída com os demais partidos, temos votos de plenário e não há motivo para não pautar, até para mostrar que a sociedade brasileira está querendo virar a página”, disse Luciano Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara.

A presença do governador de São Paulo em Brasília é considerada estratégica em prol da anistia, principalmente pela influência de Tarcísio de Freitas no Republicanos, partido que abriga o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, responsável pela pauta da Casa. O tema foi tratado a portas fechadas por Tarcísio e pelo presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, na véspera do início do julgamento de Bolsonaro no STF.

O entusiasmo da oposição com a possibilidade de o projeto da anistia ser pautado por Motta ocorre na esteira do desembarque de dois partidos do Centrão da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, anunciou que seus filiados devem deixar seus cargos sob risco de expulsão.

O anúncio foi feito pelo presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e pelo presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI). Ambos acertaram os detalhes do comunicado público após conversarem diretamente com os ministros do Turismo, Celso Sabino (União-PA), e do Esporte, André Fufuca (PP-MA), que devem deixar o governo Lula em até 30 dias.

Com o anúncio do desembarque, a expectativa é de que a federação, que tem 109 deputados, reforce o apoio à oposição junto ao colégio de líderes para que o projeto da anistia seja pautado. Além do PL, partido do ex-presidente Bolsonaro, o texto conta ainda com a adesão formal do Novo. Mas, no Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-PA), ainda pode travar a votação da anistia com a manutenção dos cargos de indicados no governo Lula.

 

 

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