Por que o Pix entrou na mira dos EUA? Entenda investigação comercial contra o Brasil

Pix, proteção de dados e pirataria na Rua 25 de Março viram alvo de investigação comercial do governo Trump

Pix vira alvo de investigação do governo Trump

Método de pagamento mais usado no Brasil, Pix ameaça domínio de empresas dos EUA no mercado – Foto: Divulgação/ND

O Pix foi citado como exemplo de “prática desleal” do Brasil na investigação comercial aberta pelo governo Trump na terça-feira (15). Os Estados Unidos acusam o governo brasileiro de prejudicar as empresas norte-americanas ao favorecer o próprio país.

“O Brasil também parece se engajar em uma série de práticas desleais com relação aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, afirma o documento do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA).

A investigação comercial foi anunciada após Donald Trump impor tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros, a partir de 1º de agosto. Em carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o estadunidense atribuiu a medida à “perseguição” da Justiça brasileira contra Jair Bolsonaro (PL) e à tentativa de “censura” das mídias sociais.

A carta fala em déficit comercial com os Estados Unidos, o que foi contestado pelo presidente Lula. Trump pediu a abertura do inquérito com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao governo norte-americano investigar supostas práticas comerciais desleais de outros países.

Pix e pirataria viram alvo dos Estados Unidos em embate comercial

O USTR argumenta que a política brasileira restringe a capacidade dos exportadores americanos de acessar seu mercado. O documento critica a conduta sobre “comercial digital e serviços de pagamento eletrônico”, em referência ao Pix.

Para os Estados Unidos, serviços como o Pix prejudicam a competitividade das empresas norte-americanas, favorecendo sistemas desenvolvidos pelo governo brasileiro.

Pix é o sistema de pagamento mais popular entre os brasileiros

EUA criticam o Brasil por favorecer o Pix, sistema de pagamento instantâneo lançado pelo Banco Central em 2020 – Foto: Bruno Peres/Agência Brasil/Reprodução/ND

Sucesso entre os brasileiros, o Pix se tornou concorrente direto de gigantes como Visa, MasterCard e Amex, como substituto aos pagamentos em cartão de débito.

O sistema de pagamento instantâneo começou a ser desenvolvido antes da pandemia, mas só foi lançado oficialmente pelo Banco Central em novembro de 2020. O Pix foi criado para facilitar as transações financeiras e já conta com mais de 160 milhões de usuários cadastrados no país.

Até a 25 de Março virou alvo dos Estados Unidos. O USTR aborda diretamente a pirataria na popular rua de São Paulo como exemplo de práticas comerciais desleais.

25 de Março é conhecida pelo comércio popular e produtos falsificados

USTR aponta falhas do Brasil no combate à pirataria e cita Rua 25 de Março em São Paulo – Foto: Aulo Pinto/Agência Brasil/ND

Conforme o documento, a 25 de Março “permaneceu por décadas como um dos maiores mercados de produtos falsificados, apesar das operações de fiscalização terem como alvo essa área”.

O governo Trump também alega que as políticas de proteção de dados no Brasil e as restrições de conteúdo nas redes sociais afetam cidadãos estadunidenses e representam uma barreira ao comércio digital.

Quais os possíveis resultados da investigação comercial dos EUA contra o Brasil?

Caso a investigação constate políticas inconsistentes e violações dos acordos comerciais, o Brasil poderá sofrer sanções, como novas tarifas e restrições à importação, suspensão de concessões de acordos comerciais e um acordo para o governo brasileiro cessar a conduta ou compensar os Estados Unidos.

Trump ordenou abertura de investigação contra o Brasil por "práticas comerciais desleais"

Investigação aberta por ordem de Trump pode acirrar embate comercial com novas sanções ao Brasil – Foto: Jim Watson/AFP/ND

“A investigação da Seção 301 do USTR responsabilizará o Brasil por suas práticas comerciais desleais e garantirá que as empresas americanas sejam tratadas de forma justa”, adverte o documento.

Se não houver acordo, o governo estadunidense pode levar o caso a instâncias internacionais, como a OMC (Organização Mundial do Comércio). O representante comercial dos Estados Unidos tem 12 meses para encerrar o processo, ou 30 dias após um acordo.

 

 

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