
A Nestlé, fabricante de marcas como KitKat e Aero, anunciou o desenvolvimento de um processo patenteado que promete revolucionar a produção de chocolate ao permitir o aproveitamento de até 30% a mais do fruto do cacau. A inovação surge em um momento crítico para o setor, marcado por forte escassez de oferta e volatilidade nos preços, e busca aumentar a eficiência da cadeia produtiva ao reduzir desperdícios e ampliar a utilização do cacau.
Na fabricação tradicional de chocolate, apenas os grãos são retirados do fruto e passam por fermentação, secagem, torrefação e moagem. A polpa, a placenta e a casca, por sua vez, acabam descartadas ou subutilizadas. Com a nova técnica, a Nestlé propõe aproveitar todo o conteúdo do fruto em uma massa úmida que fermenta naturalmente e libera os sabores essenciais do chocolate. Essa massa é depois moída, torrada e seca, transformando-se em flocos prontos para uso na produção de confeitaria.
Segundo Louise Barrett, chefe do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Nestlé para Confeitaria em York, no Reino Unido, a proposta alia eficiência e sabor. “Esta técnica inovadora utiliza mais frutas, ao mesmo tempo em que nos permite fornecer um delicioso chocolate aos nossos consumidores”, afirmou. Embora ainda em fase piloto, a empresa já explora caminhos para ampliar a aplicação da tecnologia. Somente na unidade de York, a Nestlé processa anualmente cerca de 12 mil toneladas de massa de cacau destinadas à produção de suas principais marcas.
O avanço ocorre em meio ao que muitos especialistas consideram uma crise sem precedentes na produção mundial de cacau. Nos últimos 18 meses, as lavouras foram impactadas por doenças como o vírus do broto inchado, além de condições climáticas adversas que reduziram a produtividade, agravadas pelo aquecimento global. A queda na oferta elevou os preços a patamares recordes, forçando fabricantes a reformular produtos e até reduzir o teor de cacau. No Reino Unido, a Nestlé chegou a retirar a palavra “chocolate” de uma versão do KitKat branco, após cortar o nível de manteiga de cacau abaixo do mínimo legal de 20%.
Com o novo processo, a companhia pretende não apenas aumentar a disponibilidade de cacau, mas também criar condições para que os agricultores possam dedicar mais tempo a práticas agrícolas sustentáveis, como a poda, que melhora os rendimentos. “Com as mudanças climáticas afetando cada vez mais a produção de cacau em todo o mundo, estamos explorando soluções inovadoras que podem ajudar os produtores a maximizar o potencial de suas colheitas”, acrescentou Barrett.
Ao valorizar integralmente o fruto do cacau e reduzir perdas, a Nestlé dá um passo significativo em direção a uma produção mais sustentável. Se ampliada em escala industrial, a técnica pode ajudar a equilibrar oferta e demanda em um setor pressionado pela escassez, garantindo ao consumidor um chocolate de qualidade e fortalecendo a resiliência da cadeia produtiva diante dos desafios climáticos e de mercado.
Fonte: mercadodocacau com informações foodnavigator
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