PIRAÍ DO NORTE

Funcionários dos Correios anunciam greve em todo o país para o dia 17

Categoria critica acordo coletivo de trabalho oferecido pela estatal; empresa afirma que mudanças estão em conformidade com as leis trabalhistas

Cerca de 100 mil trabalhadores dos Correios em todo o Brasil entrarão em greve por tempo indeterminado a partir das 22 horas de 17 de agosto, em protesto ao acordo coletivo de trabalho oferecido pela estatal. A paralisação foi definida em assembleias realizada em todo o país nesta terça-feira, 4, entre os trabalhadores associados a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) e a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect). Juntas, as entidades somam 36 sindicatos em todos os estados brasileiros. “Se o governo fizer alguma proposta nesses próximos dias, iremos submeter para avaliação dos trabalhadores. Nós não vamos aceitar o que eles nos ofereceram até agora”, afirma José Rivaldo da Silva, presidente da Fentect. Uma nova assembleia no dia 16 deverá oficializar a paralisação das atividades.

O pacote de ajustes dos Correios inclui a redução do bônus de férias de 2/3 para 1/3 do salário, diminuição do adicional noturno de 60% apara 20% a hora, extinção do bônus de R$ 1.000 pagos aos funcionários em dezembro e alteração da licença maternidade de 180 para 120 dias, além de reduzir o intervalo para amamentação de 60 minutos para 30 minutos por dia. Segundo a estatal, a mudança dos benefícios está de acordo com o estabelecido pela CLT. O pacote prevê uma redução de R$ 600 milhões por ano dos cofres públicos. “Tendo em vista a realidade financeira da empresa, com um cenário de dificuldades que tem se agravado a cada ano que passa, os Correios precisam se adequar não só ao que o mercado está praticando, mas, também, ao que está previsto na legislação”, informou a estatal em nota. A crise do novo coronavírus piorou a situação fiscal da estatal, que há anos enfrenta dificuldade para equilibrar as contas. Segundo a empresa, as solicitações feitas pelos trabalhadores impactariam no acréscimo de R$ 961 milhões nas despesas dos Correios, quase dez vezes o lucro do ano de 2019.

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