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EUA pressionou Ucrânia a aceitar plano para pôr fim à guerra, diz funcionário

EUA pressionou Ucrânia a aceitar plano para pôr fim à guerra, diz funcionário

EUA pressionou Ucrânia a aceitar plano para pôr fim à guerra, diz funcionário © Elodie LE MAOU

Os Estados Unidos pressionaram a Ucrânia para aceitar sua proposta para encerrar o conflito com a Rússia durante as conversas no fim de semana em Genebra, na Suíça, declarou à AFP um alto funcionário, depois que o plano foi alvo de críticas por ser muito favorável a Moscou.

Representantes de Ucrânia, Estados Unidos e países europeus se reuniram no domingo na cidade suíça para debater uma proposta do presidente americano Donald Trump para acabar com a guerra, que começou com a invasão russa em 2022.

Um alto funcionário informado sobre as negociações disse à AFP nesta segunda-feira (24) que os Estados Unidos não ameaçaram cortar diretamente a ajuda à Ucrânia caso Kiev rejeitasse a proposta, mas que seus representantes entenderam que isso era uma possibilidade.

Homem se exercita levantando pedras em uma academia ao ar livre em Kiev, em 24 de novembro de 2025

Homem se exercita levantando pedras em uma academia ao ar livre em Kiev, em 24 de novembro de 2025 © Sergei Gapon

A fonte, que falou sob condição de anonimato, afirmou que, embora a pressão dos Estados Unidos tenha diminuído durante a reunião, há uma “pressão geral” contínua.

O plano original, composto por 28 pontos, sugeria que a Ucrânia cedesse as regiões administrativas orientais de Donetsk e Luhansk e reduzisse o contingente de seu exército, demandas que para Kiev são inaceitáveis.

Mapa das zonas da Ucrânia que seriam reconhecidas de facto como russas ou mantidas pela Ucrânia segundo o rascunho do plano norte-americano visto pela AFP, em relação às posições das forças militares em 20 de novembro de 2025.© Luca MATTEUCCI

A nova versão do rascunho trabalhado em Genebra não foi divulgada, mas todas as partes concordaram em que qualquer acordo deve “respeitar a soberania da Ucrânia”.

O Kremlin declarou nesta segunda que os ajustes propostos pelos europeus são “pouco construtivos” e não convêm.

Na noite desta segunda, a Casa Branca, por sua vez, rejeitou as críticas de que Trump estava favorecendo a Rússia em seus esforços para pôr fim ao conflito.

“A ideia de que os Estados Unidos não estão interagindo com ambas as partes de maneira equitativa nesta guerra para pôr um fim a ela é uma falácia completa e total”, disse a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, aos jornalistas.

Evolução do controle territorial russo na Ucrânia e comparação com as propostas do plano dos Estados Unidos consultado pela AFP em 21 de novembro de 2025, para as regiões da Ucrânia afetadas.© Sabrina BLANCHARD

A Ucrânia e seus aliados europeus pressionam por mudanças na proposta dos Estados Unidos, ao classificarem-na de ser muito benéfica em relação às pretensões de Moscou.

Dezenas de milhares de civis e militares morreram desde o início da invasão, enquanto milhões de ucranianos foram obrigados a deixar seus lares.

– Um ‘momento crítico’ –

O presidente ucraniano Volodimir Zelensky louvou nesta segunda-feira os “passos importantes” dados durante as conversações, mas reconheceu que é necessário muito mais trabalho diplomático, e afirmou que seu país atravessa um “momento crítico”.

“Para alcançar uma paz real, é necessário mais, muito mais. Claro, continuamos trabalhando com os aliados, especialmente com os Estados Unidos, e buscamos compromissos que nos fortaleçam e não nos enfraqueçam”, apontou.

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