Mercado de cacau segue volátil entre apostas climáticas e aumento dos estoques globais

O mercado internacional de cacau inicia o mês de junho mantendo o mesmo cenário que marcou as últimas semanas: forte volatilidade, incertezas climáticas e intensa disputa entre expectativas altistas e baixistas. Enquanto os mercados financeiros globais acompanham temas como as tensões geopolíticas envolvendo o Irã e o avanço da inteligência artificial, os participantes do mercado de cacau permanecem focados nos possíveis impactos do fenômeno El Niño e nas especulações sobre o tamanho da próxima safra da África Ocidental.

Nos últimos pregões, o comportamento dos preços tem sido marcado por movimentos bruscos de alta e baixa, refletindo a dificuldade dos investidores em encontrar uma direção clara para o mercado. As preocupações com um possível fortalecimento do El Niño continuam sustentando parte do prêmio climático embutido nas cotações, já que o fenômeno pode trazer impactos importantes para as lavouras de cacau da Costa do Marfim e de Gana, responsáveis por mais de 60% da produção mundial.

Por outro lado, as expectativas de recuperação da produção africana na safra 2025/26 seguem limitando movimentos mais agressivos de alta. A recente sinalização de aumento na oferta marfinense e os elevados níveis de estoques monitorados pela ICE têm reforçado a percepção de que o mercado poderá contar com uma disponibilidade mais confortável de matéria-prima nos próximos meses.

O contrato julho encerrou o pregão de sexta-feira cotado a US$ 3.923 por tonelada, registrando queda de US$ 176. Durante a sessão, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 3.895 e a máxima de US$ 4.175, evidenciando a elevada volatilidade que continua predominando no mercado. Foram negociados 46.096 contratos, enquanto o interesse aberto aumentou em 2.289 posições, alcançando 203.324 contratos, sinalizando que novos participantes continuam ingressando no mercado.

Outro fator que segue pressionando as cotações é o avanço dos estoques certificados da Intercontinental Exchange (ICE). Os volumes armazenados nos portos dos Estados Unidos registraram novo crescimento de 36.746 sacas, atingindo 2.846.957 sacas, o maior nível dos últimos dois anos. O aumento contínuo desses estoques é interpretado por muitos operadores como um indicativo de oferta mais confortável e demanda ainda cautelosa por parte da indústria processadora.

Do ponto de vista técnico, o RSI (Índice de Força Relativa) do contrato julho está em 60%, indicando que o mercado mantém viés positivo de curto prazo, mas ainda distante de níveis considerados de sobrecompra.

Fonte: mercadodocacau

Veja também