
Cresce pressão para Flávio Bolsonaro abandonar candidatura após áudio pedindo US$ 24 milhões a Vorcaro
O cenário político eleitoral brasileiro deu um escandaloso cavalo de pau no início da tarde desta quarta-feira (13). O que era uma candidatura consolidada e claramente competitiva do campo da extrema direita, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) liderando ou aparecendo tecnicamente empatado no topo de diversas pesquisas de intenção de voto, tornou-se politicamente inviável em questão de horas. O motivo é o vazamento explosivo de áudios e documentos, revelados pelo portal The Intercept Brasil, que detalham uma negociação milionária entre o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O “irmão” e os US$ 24 milhões
As gravações obtidas pela reportagem expõem uma intimidade alarmante entre o senador extremista, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e o banqueiro então dono do Master, atualmente no centro de investigações que o apontam como um dos articuladores de um esquema fraudulento bilionário. Nos áudios, Flávio chama Vorcaro de “irmão” e declara com ênfase que ambos “estarão sempre juntos”, selando uma aliança que ultrapassa o campo institucional e mergulha no submundo dos interesses privados.
O ponto central do escândalo é o pedido direto de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) feito pelo senador a Vorcaro. De acordo com os fatos apurados, o esquema tinha conexão nos EUA, já que do valor total solicitado, pelo menos R$ 61 milhões foram pagos e drenados para uma empresa sediada naquele país, controlada por pessoas intimamente ligadas e aliadas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. O dinheiro, segundo o discurso oficial, teria sido utilizado para financiar a produção cinematográfica “Dark Horse”, um filme biográfico de tom heróico rocambolesco sobre a vida de Jair Bolsonaro, estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel e previsto para estrear em setembro deste ano nos cinemas.
Fim da linha na política
A repercussão em Brasília foi imediata. Lideranças da direita e do próprio núcleo bolsonarista, que antes defendiam a “herança política” de Flávio, agora observam o desmoronamento da candidatura com ceticismo e distanciamento. No Congresso, a Fórum apurou que o movimento para que o senador abandone a disputa presidencial é crescente, embora ainda ocorra de forma discreta para evitar o rótulo de traição.
O consenso entre articuladores políticos é que a proximidade afetuosa com Vorcaro, descrito por setores da investigação como a figura mais corrupta a emergir no sistema financeiro nacional nos últimos anos, cria uma “mancha inapagável” na imagem de “renovação” e “honestidade” que a extrema direita insistia em projetar para 2026.
Investigações em curso
Além do desgaste político, o caso abre uma nova e perigosa frente jurídica. Órgãos públicos já iniciaram procedimentos para apurar se o financiamento do longa-metragem “Dark Horse” configurou crime de lavagem de dinheiro ou caixa dois, dada a origem dos recursos provenientes de um banqueiro sob investigação e o trâmite internacional das verbas.
A defesa do senador Flávio Bolsonaro ainda não detalhou as circunstâncias do pedido financeiro, enquanto o mundo político aguarda apenas o anúncio formal da retirada de seu nome da corrida ao Planalto.
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