O anúncio da ampliação do acesso ao mercado chinês ocorreu no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que estabelece uma tarifa de 50% sobre a importação de café brasileiro. O Brasil é o maior fornecedor do produto para os EUA, respondendo por cerca de um terço das 25 milhões de sacas consumidas anualmente pelos estadunidenses.
Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou apenas 538 mil sacas para a China no primeiro semestre de 2025. Apesar do volume ainda modesto, os acordos firmados com a rede chinesa de cafeterias Luckin indicam uma tendência de crescimento. A empresa superou a norte-americana Starbucks no mercado chinês e tem contribuído para o aumento do consumo interno.
Ainda conforme a reportagem, em junho de 2024, durante missão em Pequim, a Luckin firmou um compromisso com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para a compra de 120 mil toneladas de café até 2029. O acordo foi ampliado em novembro, em Brasília, para 240 mil toneladas, consolidando a aposta chinesa no produto brasileiro.
Além do café, a embaixada chinesa também anunciou a habilitação de 30 empresas brasileiras para exportação de gergelim e outras 46 para farinhas de aves e suínos, igualmente com validade iniciada na última quarta-feira.
O gesto chinês ocorre em um contexto de crescente tensão comercial. Na segunda-feira (29), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, comentou as ameaças tarifárias dos EUA ao Brasil, destacando que “a China está disposta a trabalhar com o Brasil, outros países da América Latina e do Brics para defender o sistema multilateral de comércio centrado na OMC [Organização Mundial do Comércio] e salvaguardar a justiça internacional”.
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